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Salinas Calombolo Realiza a Primeira Exportação de Sal Marinho Orgânico Para São Tomé e Príncipe

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Em dezembro de 2025 ocorreu a primeira exportação de sal marinho orgânico de Angola para São Tomé e Príncipe. A empresa Salinas Calombolo do Grupo Adérito Areias embarcou 27 toneladas de “flor de sal” num contentor, seguindo para a vizinha nação insular. O carregamento ocorreu em 9 de dezembro de 2025, partindo do Porto do Lobito e destinado ao mercado de São Tomé e Príncipe. No acto formal de lançamento, o governador de Benguela destacou este envio como símbolo da “determinação, competência e visão estratégica” do projecto. A gestora Tânia Areias revelou que já está planeado um segundo contentor dentro de duas semanas, continuando assim a política de abertura a mercados externos.

Capacidade produtiva da Salinas Calombolo

A Salinas Calombolo, sedeada em Benguela (com unidades de produção em Baía Farta e Chiome), dedica-se à extração e comercialização de sal marinho desde 1989. A empresa possui 2.461 hectares de salinas divididos em três centros produtivos (Calombolo, Baía, Zeca Monteiro). A capacidade produtiva instalada é na ordem de 1.000 toneladas por dia (aproximadamente 400 mil toneladas/ano), embora a produção actual seja de cerca de 50 mil toneladas/ano (representando 80% do sal iodado nacional). Com cerca de 1000 trabalhadores, as Salinas Calombolo abastecem maioritariamente o mercado doméstico, mas a elevada saturação local limita a produção, daí o esforço recente para exportação.

Perspectivas de Expansão – Portugal e Reino Unido

A exportação para São Tomé e Príncipe é o primeiro passo de uma estratégia internacional. Já foram anunciados envios semelhantes para Portugal; está previsto o embarque de outro contentor com 27 toneladas de “flor de sal” para esse mercado europeu. Adérito Areias tem referido ainda projectos de abertura de novos mercados (incluindo Grã‑Bretanha), aproveitando a imagem do produto como “o sal mais natural do mundo”, recomendado até para dietas de hipertensos ou diabéticos. A interligação via Corredor do Lobito facilitará estas operações logísticas regionais e extrarregionais. Em suma, a Salinas Calombolo prepara‑se para crescer no mercado de sal natural, exportando progressivamente para outros destinos lusófonos e europeus, acompanhando a procura global por sais “premium” sem aditivos.

Conheça o Grupo Exportador

O Grupo Adérito Areias, liderado pelo empresário benguelense Adérito Areias (apelidado de “Rei do Sal”), tem mais de 70 anos de história ligada à pesca e à produção de sal. Originalmente uma empresa familiar, o grupo expandiu‑se na última década para diversos sectores: além da salinicultura e pesca (empresa irmã Naipe–Iemanjá), está presente na construção naval (Estaleiro Moderno), agropecuária e transformação de cereais (Complexo Agrícola), construção civil e turismo (Happy Flowers). Com mais de 5000 funcionários, o grupo detém hoje posição de liderança nacional nestas áreas. Adérito Areias foi homenageado em Angola pelo seu contributo à economia e distinguiu-se como “Empreendedor do Ano” em 2018. Essa reputação reforça a relevância do grupo no mercado angolano, sobretudo no sector salineiro.


Corredor do Lobito como via logística regional

O Corredor do Lobito é cada vez mais apontado como eixo essencial para o escoamento de exportações na região Central e Austral de África. Instituições oficiais e parceiros internacionais destacam o seu papel estratégico. Segundo o Governo de Angola, o corredor tem desempenhado “um papel relevante na dinamização das trocas comerciais entre os países africanos e na consolidação da Zona de Comércio Livre Continental”.

Estes investimentos em ferrovia, estradas e plataformas logísticas abrem novos mercados para agricultores e industrias angolanas, facilitando a exportação de matérias‑primas (como o sal orgânico) e reforça a integração económica regional.


Um Mercado Global gigantesco que aguarda por Angola

O sal marinho orgânico (sal gourmet ou flor de sal) pertence a um segmento em crescimento no mercado global de sais. Os principais produtores mundiais de sal incluem China, Estados Unidos, Índia, Alemanha, Canadá e Austrália. Em 2023, a China produziu cerca de 53,6 milhões de toneladas, seguida pelos EUA (42 milhões t) e Índia (26 milhões t). Em termos de comércio, a Austrália lidera as exportações (aprox. US$570 milhões em 2023), seguida pelos Países Baixos e Índia.

O mercado global de sal (industrial e alimentar) é gigantesco, avaliado em US$34,1 mil milhões em 2023, com previsão de crescimento para US$54,0 mil milhões até 2032. Dentro desse total, o segmento de sais naturais e não refinados (gourmet/orgânicos) regista procura crescente. Definem-se como sais não refinados, colhidos naturalmente (geralmente de salmouras marinhas), com menor teor de sódio e sem aditivos. Segundo pesquisas de mercado, o mercado de sais gourmet deve atingir cerca de US$2,26 mil milhões em 2029 (crescendo a 4,2% ao ano entre 2024 e 2029).

Este crescimento é impulsionado pela mudança nos hábitos de consumo: com maior consciência nutricional, há procura por ingredientes orgânicos e naturais. Por exemplo, observa‑se aumento da procura de sais marinhos «orgânicos» em mercados como o Reino Unido, justamente pela sua natureza não adulterada. Em suma, a tendência global favorece produtos naturais sem aditivos, o que beneficia produtos como o sal marinho orgânico produzido em Angola.

Fontes: Economia&Mercado; Rádio Mais; site oficial Grupo Adérito Areias; relatórios de mercado internacional

11 de Dezembro de 2025

Agroportal