Revitalização da produção do café com baixos indicadores no Huambo

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Huambo – Os indicadores da campanha de revitalização da produção do café arábica na província do Huambo, relançada em 2019, continuam longe das expectativas devido ao fraco envolvimento das famílias camponesas no processo, soube a ANGOP esta quarta-feira.

 

Desde o relançamento da campanha, apenas foram colhidas sete toneladas, contra as 64  inicialmente previstas, sendo 37 para 2019 e 27 para 2020, situação que contrasta com as projecções das autoridades locais,  quanto ao fomento da produção do “bago vermelho” na região.

Abordado pela ANGOP, o chefe de secção de Café do Gabinete da Agricultura, Pecuária e Floresta na província do Huambo, Ramiro Manuel Ngadiama, mostrou-se preocupado com a situação, que considera ser um fracasso, pois que os indicadores continuam inalterados.

De acordo com o responsável, em causa está o facto de as famílias camponesas envolvidas na campanha desistirem do cultivo do café, por ser de produção de longo prazo, com apostas em outras culturas de consumo imediato.

Ramiro Manuel Ngadiama avançou que, entre 2019 a 2020, foram distribuídas 115 mil mudas de  café para 230 famílias camponesas dos municípios do Bailundo, Chicala-Cholohanga, Huambo, Londuimbali e Mungo.

Deste número, disse, apenas 70 famílias continuam a abraçar o projecto, com quantidades ínfimas de produção, enquanto as demais receberam as plantas e guardaram em suas residências até chagarem a estragar.

Sem avançar o número de mudas estragadas, o responsável referiu que a situação está a causar avultados prejuízos financeiros, devido aos custos de aquisição e a consequente distribuição gratuita.

Não obstante a esta realidade, assegurou que a instituição, em parceria com as administrações municipais, tem desenvolvido acções de sensibilização dos agricultores sobre a importância da aposta no cultivo do café, tendo em conta o seu valor económico, tido como um dos produtos mais exportados no passado.

Nesta conformidade, Ramiro Manuel Ngadiama informou que para a presente época agrícola, iniciada em Novembro do ano transacto, seleccionadas 35 famílias camponesas dos municípios do Bailundo e Mungo, que serão abrangidas com mais de 40 mil mudas.

Sobre a escolha do café arábica para a revitalização do produto na província, Ramiro Manuel Ngadiama disse tratar-se da espécie que mais se adequa ao clima da região, que se apresenta bastante favorável para o cultivo do produto.

Para além do café, a província do Huambo, possui vastas terras aráveis e férteis para o cultivo do milho, feijão, soja, hortícolas diversas e batata rena e doce.

Na época colonial, os municípios do Bailundo, Chicala-Cholohanga, Huambo, Londuimbali Mungo, eram capazes de produzir mil e 600 toneladas de café comercial.

No passado o café ocupou um lugar de destaque na economia de Angola, tendo sido considerado como o principal produto de exportação, atingindo elevadas quantidades e posicionando o país na posição de 3º maior produtor a nível internacional, em 1974, e o primeiro de exportação Angola, em 1975.

Nos dias de hoje, a produção é incipiente, dominada por empresas agrícolas familiares com plantações de baixa produtividade e dificuldades de acesso ao mercado.

Fonte: Angop (02.03.2022)