A transformação do sistema alimentar e a construção de resiliência não podem ser isoladamente edificadas, mas, devem cruzar-se com políticas que promovam o crescimento económico, a sustentabilidade da dívida, a inclusão e integração de género, disse, quarta-feira(13), em Addis Abeba, a comissária do Departamento do Desenvolvimento Rural, Agricultura, Economia Azul e Ambiente Sustentável (DARBE), Josefa Correia Sacko.
A diplomata africana fez estes pronunciamentos, quando interveio, via virtual, na 32ª Sessão da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para África, que decorre em Malabo (Guiné Equatorial). Josefa Sacko adiantou que a saúde de humanos e animais e a protecção ambiental são aspectos fundamentais para a estabilidade do sistema alimentar.
Por isso, assegurou, "é preciso integrar a abordagem sistémica aos sistemas alimentares fornecidos pela Cúpula de Sistemas Alimentares das Nações Unidas, realizada em Setembro de 2021, que constitui uma referência obrigatória para impactar a crise alimentar.
A comissária fez saber que os países africanos foram duramente atingidos pela crise que obstaculizou os ganhos obtidos nos últimos cinco anos. "Já enfrentavam vários desafios, antes da pandemia, com a lagarta do cartucho, o gafanhoto do deserto e a seca, e tudo isso prejudicou de que maneira”, desabafou. De acordo com Josefa Sacko, uma avaliação preliminar da FAO relata que, pelo menos 39 milhões de pessoas em África podem ser empurradas para a pobreza, como resultado do impacto da pandemia da Covid-19. "A Covid-19 teve impactos negativos significativos na segurança alimentar e na pobreza e afectou, desproporcionalmente, grupos desfavorecidos, como mulheres, trabalhadores pouco qualificados e trabalhadores informais”, disse.
Outro aspecto crítico tem a ver com o aumento contínuo dos preços dos alimentos, nos últimos dois anos, agora mais reflectido pela guerra entre a Rússia e Ucrânia que apresenta novas ameaças à segurança alimentar, principalmente em países altamente dependentes da importação de alimentos.
Por isso, "são necessárias acções políticas concretas, a curto, médio e longo prazos, para facilitar a recuperação e construir sistemas agro-alimentares resilientes em África”, frisou. Para Josefa Sacko, o nível de interrupção nas cadeias de suprimentos e no comércio variou significativamente e, acrescentou, "se precisamos a soberania alimentar em África, à medida que se verificam as implicações mais amplas da pandemia e sua coexistência com outros desafios, como mudança climática, desigualdade e conflitos, são necessárias políticas e investimentos mais inteligentes, para orientar a recuperação sustentável e o caminho de desenvolvimento resiliente e inclusivo”.
Fonte: Jornal de Angola (14.04.2022)