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FAO tem 42 milhões de dólares para diminuir queimadas no país

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) vai disponibilizar 42 milhões de dólares para um projeto de gestão sustentável de fogo nas províncias do Moxico, Malanje, Cuando Cubango, Lunda-Norte e Lunda-Sul.

A informação foi avançada, segunda-feira, no Luena, província do Moxico, pela coordenadora da FAO para atuações climáticas, Ludmila Saiovo, durante a cerimónia de apresentação do projecto para Gestão Sustentável de Fogo "Fundo Verde do Clima”.

Ludmila Saiovo disse que o projecto prevê uma abordagem transversal, visando a melhoria dos recursos florestais, biodiversidade e ecosistemas, incluindo a vida nas comunidades.

A engenheira afirmou que o projecto está em fase de preparação e teve início em 2021,com parceria de vários órgãos públicos e privados, e, num futuro breve, irá beneficiar a população, através da venda de carbono no mercado internacional.

Os grandes beneficiários do projecto, esclareceu, serão as comunidades que terão um retorno que vai ajudar financeiramente e economicamente as pessoas que vivem em zonas florestais.

"Vamos, ainda, financiar alguns projectos individuais, através da iniciativa, para que a população tenha visão de outros negócios e abster-se das florestas”.

Salientou que a FAO está na província do Moxico para colher dados que vão servir de base para complementar as análises que estão a ser feitas. "O projecto está em análise e preparação, não se prevê o início, vamos continuar a auscultar as comunidades sobre os hábitos e costumes das queimadas e outras razões que levam a essas práticas”.

A responsável assegurou que o projecto não proíbe o uso do fogo, mas defende a boa gestão, para evitar incêndios nas florestas e criar condições sociais no seio das populações, para se evitar este mal, que se prolifera na sociedade.

O prelector Cristóvão José, que apresentou o tema "o impacto negativo das queimadas no ecosistema”, sublinhou que a população recorre a queimadas nas comunidades para a sua auto-subsistência, um hábito que remonta desde os tempos primórdios, sobretudo na prática da agricultura.

Cristóvão José afirmou que estas práticas acabam por reduzir as propriedades do solo. "Por isso é que estamos a promover palestras para a conservação do meio ambiente, combatendo principalmente as queimadas”.

Defendeu a necessidade de se transmitirem informações nas comunidades sobre o perigo que as queimadas representam para as futuras gerações, bem como boa administração do solo, pelo facto de ser um recurso de onde depende a nossa sobrevivência humana.

"As queimadas devem ser controladas e não descontroladas. O fogo faz parte da nossa tradição, devido alguns hábitos, mas devemos fazê-lo de forma controlada”.

Fonte: Jornal de Angola (16.11.22)

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