O Banco Mundial (BM) e Agência francesa de Desenvolvimento (AFD) estão a financiar, desde 2019, um total de 230 milhões de dólares, para a implementação do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC), com o objectivo de contribuírem no aumento da produção agrícola no país, no âmbito do programa estratégico do Executivo de assegurar auto-suficiência alimentar no seio da população.
Deste montante, 130 milhões de dólares, estão a ser alocados pelo Banco Mundial, e 100 milhões, pela Agência Francesa de Desenvolvimento, para o fomento das culturas de milho, feijão, soja, café, mandioca, batata-doce, batata rena e pecuária, no seio dos agricultores das províncias do Bié, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Huambo, Huíla e Malanje.
Em declarações ao Jornal de Angola, o director de Estudos, Planeamento e Estatística do Ministério da Agricultura e Florestas, Anderson Jerónimo, disse que o projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial visa aumentar a produtividade e apoio de acesso ao mercado de produtores empresarial, afectas às pequenas e médias cooperativas das regiões do país, onde o programa está a ser implementado.
"Este projecto, para além de garantir o aumento da produtividade, está igualmente focado na promoção e apoio ao desenvolvimento do agronegócio, melhoramento das infra-estruturas de produção, comercialização, fortalecimento institucional, garantia do ambiente de negócios, gestão, monitorização e avaliação de projectos”, assegurou.
Financiamento
Anderson Jerónimo, que também é o director do projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, indicou que o programa contempla duas janelas de financiamento para garantir a produtividade dos produtores.
A primeira janela, de acordo com a fonte, contempla o financiamento de 125 mil euros, e a segunda, até 850 mil euros, equivalente a 450 milhões de kwanzas. Para o gestor do projecto, os valores das duas janelas de financiamento dão possibilidade que maior número de produtores possa beneficiar de crédito bancário, observando menor risco de reembolso do montante recebido.
Disse que, desde da implementação do projecto, em 2019, até a presente data, foram elaborados 172 planos de negócios, dos quais, 57 aprovados e 39 desembolsos. Sublinhou que o projecto é supervisionado pelo Ministério da Agricultura e Florestas, e conta com os bancos comerciais, como BFA, BAI e Sol, na concessão de créditos para os produtores conseguirem alcançar as metas preconizadas.
"O projecto possui um fundo de garantia que cobre até 65 por cento do crédito concedido, dando a possibilidade ao produtor beneficiar de uma subvenção de algum recurso financeiro, caso cumpra, nos primeiros anos, com os reembolsos do crédito e as políticas que o programa exige. Aliás, esses casos só podem ocorrer caso os produtores consigam devolver o dinheiro do projecto”, disse, apontando que o projecto ajuda o produtor atingir o nível máximo de produtividade.
Assistência técnica
Segundo o responsável, o projecto conta com o apoio técnico de duas empresas que garantem assistência aos produtores em matéria de selecção e preparação dos planos de negócios.
De acordo com Anderson Jerónimo, o projecto contempla, igualmente, o acompanhamento da implementação de planos de negócios dos beneficiários.
Assegurou que, a par da assistência técnica, o projecto está, também, focado no melhoramento das infra-estruturas, com destaque para os sistemas de irrigação.
"Estamos satisfeitos com este projecto, porque o mesmo está a ser implementado em todas as vertentes. As vias de acesso são prioridade, porque vão ajudar no escoamento dos produtos para os centros de consumo. Estamos a trabalhar com os governos provinciais para o melhoramento das estradas nas zonas onde o projecto está a ser implementado”, disse.
Indicou que a instalação de energia eléctrica nos municípios onde o projecto está a ser implantado é fundamental para o seu desenvolvimento.
"O projecto prevê a instalação de algumas linhas de energia eléctrica. Este plano está a ser liderado pelo Ministério da Energia e Águas, através da direcção nacional de electrificação rural. Este programa tem condições para ajudar os produtores a aumentarem as suas produções e terem acesso ao mercado com vista a garantirem a dieta alimentar no país”, concluiu.
Fonte: Jornal de Angola (12.12.22)