A secretária-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA) defendeu a aposta na agricultura familiar como base de sustento das famílias angolanas e reforço da literacia financeira no seio das mulheres camponesas.
Joana Tomás, que falava ao Jornal de Angola, à margem da participação na Expo China -África, que decorreu de 29 de Junho a 2 de Julho corrente, a convite da Federação Nacional da Mulher Chinesa, explicou que a presença da OMA no certame visou transmitir uma mensagem sobre a necessidade de se estreitar laços de cooperação, relativamente à educação da rapariga e à literacia tecnológica e financeira.
"Precisamos que cada vez mais mulheres utilizem os meios de comunicação e tecnologia, para se poderem comunicar, não só com troca de mensagens, mas também na questão da educação, porque há campanhas que, às vezes, são realizadas e que não atingem as mulheres”, disse.
Revelou, ainda, que a experiência da Federação da Mulher Chinesa será importante para os desafios da agricultura familiar, tendo defendido o cooperativismo com o país asiático como fundamental para a consolidação dos projectos.
"Temos uma experiência muito boa com as pequenas indústrias de conservação de alimentos e apelamos para a mecanização agrícola, que se faz de várias formas. Temos as pequenas, médias e grandes fazendas, mas também a agricultura familiar”, destacou, Joana Tomás, para em seguida justificar a aposta na agricultura familiar com o facto de constituir uma actividade desempenhada maioritariamente por mulheres.
A agricultura familiar, disse, garante o sustento das famílias, é a principal abastecedora dos grandes centros urbanos, contribuindo para melhorar a vida das mulheres no meio rural, bem como garantir a melhor qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos angolanos.
"Desta forma, vamos melhorar a qualidade de vida destas mulheres, fixá-las no meio rural e contribuir para a redução do êxodo rural, facto que acontece muito nos nossos continentes e países”, sublinhou.
Joana Tomás ressaltou o facto da China ser um país "que tem lições muito boas para dar”, aos quais Angola precisa de aproveitar. Segundo a secretária-geral da OMA, os apelos vão, também, para a "necessidade de termos energia, não apenas a das barragens, mas também a chamada energia limpa, para os campos, aldeias, ajudando a fixar as pessoas no campo e levar o desenvolvimento para aquelas áreas, evitando o êxodo rural e a grande aglomeração nos centros urbanos”.
Paralelamente aos desafios da agricultura familiar, revelou a existência de um programa de empoderamento e formação das mulheres em advocacia, para trabalharem no aconselhamento jurídico comunitário. Durante a participação na Expo China – África, a delegação da OMA expôs a riqueza cultural de Angola, através de peças de artesanato e mostrou a forma tradicional de vestir de cada região do nosso país.
Fonte: Jornal de Angola - 09.07.23