Os agricultores do município de Cacuso, na província de Malanje, garantem disponibilizar ao mercado mais produtos do campo como resposta aos incentivos garantidos pelas “Medidas de Estímulo à Economia e de Dinamização do seu Potencial, após ser operacionalizada.
O fazendeiro Armando Guerra Muanza, oficial superior da Polícia Nacional, residente em Luanda, anunciou que vai elevar a dedicação ao campo, na localidade de Macala, município de Cacuso, em Malanje.
Manifestou-se satisfeito com as medidas anunciadas pelo Governo, que na sua visão vão incentivar os agricultores a produzir em maior escala.
"O Governo, por um lado, vai deixar de importar os produtos que nós, localmente, podemos produzir. Por exemplo, ouve-se de que Angola gasta para comprar arroz, feijão, óleo e outras coisas mais acima de 200 milhões de dólares. Esse valor, aplicado no apoio aos agricultores, podemos gerar benefícios aos produtores angolanos e ao país”, disse.
Por ocasião da reportagem do Jornal de Angola, na Fazenda Muanza estava em preparação a terra para o próximo cultivo, isso após a colheita de elevada quantidade de feijão dias antes, a que se seguirá o plantio de milho no mesmo espaço.
Balanço da época passada
A época agrícola passada, segundo Armando Muanza, foi positiva, pois permitiu colher quase 40 toneladas de feijão. "Devíamos ter mais. Todavia, a falta de alguns meios condicionou. Nós estamos a precisar, por exemplo, de debulhadores de milho e de feijão, porque perdemos muitos grãos no trabalho manual. Se tivéssemos equipamentos, teríamos mais de 60 toneladas de feijão. Também nos aconteceu na época do milho, até porque foram menos as perdas graças à empresa Carrinho, que nos ajudou a debulhar o milho. No feijão, já não tivemos a mesma sorte”, afirmou.
Para o agricultor, o apoio do Governo em equipamentos é fundamental e vai permitir que se produza muito mais.
"Não podemos fazer mais porque na hora da colheita, na hora de debulhar o feijão ou o milho, encontramos muitas dificuldades. As máquinas que temos, nesse momento, podemos até fazer mais de 70 hectares. Já iniciamos, conforme pode ver, a desbravar a terra. Até aqui, já fizemos 47 hectares. Daqui a mais uns dias vamos atingir os 50”, completou.
A Fazenda Muanza Guerra emprega 22 trabalhadores, na sua maioria jovens locais, além dos eventuais que aparecem na fase da colheita.
Um desses trabalhadores é o tractorista Catorze de Agosto, de nome próprio. Domina a máquina como quem leva pão à boca e afirmou que, na Fazenda, está a "sua vida” e é de lá que vai contribuir para o crescimento do país inteiro e da província de Malanje em particular.
Confiança
Ana José, também conhecida por "Dona Seja”, é outra produtora agrícola do município e disse estarem preparados para garantirem a produção de bens alimentares essenciais às famílias angolanas e atingir níveis para a exportação.
"Ouvimos o discurso do senhor Presidente da República e do senhor ministro de Estado. Nós concordamos, porque não há país nenhum no mundo que se desenvolve sem a agricultura.Já o dizia o saudoso Presidente Neto que "a agricultura é a base e a indústria o factor decisivo. Nós temos de produzir”, disse.
Ana José afirmou estar no ramo faz tempo.
"Temos aqui toneladas de milho. Agora, estamos a tirar 50 hectares de feijão e também temos 12 hectares de café. Isto já nos dá um conforto muito grande. Esse desafio do Executivo vem em boa hora. Nós também vamos pedir que as sementes e fertilizantes baixem de preço, porque senão o camponês não vai conseguir trabalhar”, acrescentou.
Por sua vez, José João Rafael, outro agricultor, considerou que "essa medida tomada pelo Governo não devia ser agora. Devia ser muito antes, porque nenhum país do mundo só vive da importação”.
José João Rafael pediu para a necessidade de potenciar os agricultores.
Vendedoras auguram por maior oferta
As vendedoras de produtos agrícolas também manifestam plena confiança de que as medidas que estão a ser tomadas pelo Governo vão ajudar ao acesso mais facilitado de grandes quantidades de produtos do campo a preços mais baixos.
De acordo com duas habituais clientes em fazendas visitadas, fruto da confiança angariada no tempo, muitos dos produtos vendidos por elas recebem dos produtores a título de crédito (recebem e pagam após as vendas).
Antónia Piedade é comerciante de produtos do campo no mercado municipal de Malanje. "Nós frequentamos sempre aqui a fazenda Muanza Guerra para a compra de produtos para revender no mercado da Catepa. Compramos repolho, feijão, pimenta, melancia, milho, couve e outros produtos. Os preços praticados são normais. O senhor sempre nos atende muito bem. Compramos aqui há quatro anos. Há momentos que levamos os produtos à confiança, levamos os produtos e pagamos depois”, foi assim que começou por falar à reportagemdeste Jornal a mãe de quatro filhos que encontrou na revenda de produtos adquiridos na Fazenda Muanza Guerra, situada no sector de Macala, na comuna do Lombe, município de Cacuso, a sua principal fonte de receitas.
Na mesma fazenda, encontrámos também a senhora Aida Rosa Jorge, que disse ser o seu negócio habitual.
"Compro sempre aqui a melancia, beringela, pimenta e vendo no mercado da Catepa. Nós somos clientes desta fazenda já há dois anos e os produtos que adquirimos aqui nos ajudam muito, porque depois da revenda conseguimos atender as preocupações dos nossos filhos. Pagamos propinas, compramos o material escolar e assim vai a vida”, disse.
As vendedoras de produtos agrícolas também incentivam os demais produtores de toda a província de Malanje a lançarem mãos aos programas do Governo para que o país tenha fartura na produção.
Fonte: Jornal de Angola - 26.07.23