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Agrónomo aponta factores de atraso no desenvolvimento da agricultura no país.

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O atraso tecnológico, o pouco uso de fertilizantes e a falta de mais infra-estruturas adequadas são dos principais factores que impedem o melhor desempenho da agricultura angolana.

Para o agrónomo Fernando Pacheco, durante uma palestra, iniciativa "Angola Growing - Investimentos & Oportunidades” em parceria com a Kubeta, Angola é também o país da região SADC com a menor percentagem no uso das terras cultiváveis, com uma taxa de cerca de 10 por cento.

No painel sobre "Desafios do Sector Agro-Industrial e os passos para a redução das importações”, o agrónomo Fernando Pacheco, o presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, a directora do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Inovação de Angola (IDIIA), Filomena Oliveira, e o director do Gabinete de Estudos Planeamento e Estatística (GEPE) do Ministério da Agricultura Florestas, Anderson Jerónimo, reflectiram a forma de combinar a produção familiar e a empresarial, de modo a alcançar a autossuficiência interna e existir outra parte necessária para a exportação.

Segundo o agrónomo Fernando Pacheco, a agricultura conheceu uma certa melhoria. Lembrou que nos últimos quatro ou cinco anos, o sector cresceu em torno dos 6,0 por cento, e que o peso político da agricultura aumentou desde 2014, uma acção para a qual também contribuiu o peso da Associação Agro-Pecuária. Contudo, disse que ainda preocupa o atraso tecnológico no segmento, porquanto menos de 5,0 por cento da agricultura usa tractor na produção.

Um pedido feito pelo agrónomo é que se mude a forma como se olha para a agricultura familiar. Reiterou não ter nada contra o segmento empresarial, que chama de "farol” por ser aquele que movimenta as exportações necessárias e a captação de receitas em divisas, mas, entende, a maioria dos alimentos que chega à mesa dos angolanos é da produção familiar. Logo, este segmento não pode ser tratado com o preconceito que defende sentir em muitas opiniões, sempre que se aborda o sector familiar da agricultura.

"A redução do preço do petróleo provoca que se dê uma maior atenção à agricultura. Todavia, esta atenção reduz-se a partir do momento em que os preços sobem. Andamos a ver isso ao longo dos tempos”, afirmou Fernando Pacheco.

O director do GEPE do Ministério da Agricultura e Florestas, Anderson Jerónimo, lembrou que o aumento da produtividade é transversal à agricultura. A par disso, disse que o sector precisa de aumentar os investimentos.

Indicou que o país produz apenas 35 a 37 por cento das suas necessidades de consumo interno, razão pela qual ainda há um forte recurso à importação.

"Temos três milhões de famílias a fazer a agricultura e algumas empresas. Claro que são precisas mais e mais, mas devemos incentivar as que já exercem para gerarem maiores resultados. A agricultura hoje é ciência e também é negócio”, afirmou.

Anderson Jerónimo citou uma série de conquistas e também o trabalho feito por muitos empresários agrícolas. Todavia, reconheceu serem ainda insuficientes, mas como um bom sinal do que se pode fazer internamente. Daí que pede aos empresários a continuarem com os investimentos e também o maior envolvimento das famílias na produção de alimentos.

Em Angola, disse, estão activas cerca de seis mil escolas de campo, porém têm se mostrado insuficientes para dar resposta aos desafios pretendidos.

Para Anderson Jerónimo, o mais importante e o que se pretende, no final, é o país ter produção suficiente em relação às necessidades internas, mas, mais do que isso, alcançar a pretendida segurança alimentar.

O industrial José Severino apelou a que se altere a matriz actual e que sejam transmitidos os valores de famílias em que os jovens, apesar de estudantes, nas férias visitem os pais nas fazendas e mesmo os jovens universitários passarem a frequentar as indústrias, para conciliarem a teoria à prática.

"Temos de recuperar os 20 mil quilómetros de picadas que tínhamos e por onde era feita toda a logística agrícola, que agora já não temos.   Peço também que se reponha a capacidade da Associação de Brigada de Mecanização Agrícola, para fazermos a correcção de solos”, afirmou.

José Severino citou uma série de experiências que considera fundamental serem implementadas, tendo apelado aos investidores a continuarem a ver as crises nos mercados, como oportunidades para a criação de novos modelos e fixação de negócios sólidos.

Apontou algumas dificuldades enfrentadas pelos industriais, entre as quais o baixo financiamento e o preço alto das taxas de juro, mas também entende que se associados e focados numa mesma direcção, é possível ter-se a indústria que atenda aos desafios do país.

Filomena Oliveira entende ser necessária a criação de políticas e planos integrados, de forma que os programas concebidos possam potenciar as famílias, por via do emparcelamento das terras, registando-as a fim de que os usuários, uma vez treinados, com suporte tecnológico e apoio em instrumentos de trabalho e conhecimentos possam garantir produção suficiente para alimentar o país e também criar insumos suficientes para a indústria.

"Só podemos industrializar aquilo que produzimos no país. E, não é com pouco tomate, porque não choveu. As fábricas não podem e não funcionam assim. Para que isso ocorra, não será, de certeza, através de programas direccionados, mas sim integrados”, afirmou.

De acordo com a "cidadã do Curoca”, Angola é de todos e todos têm o dever de fazer o melhor por ela.

Lembrou que os campos agrícolas são, por excelência, abastecedores das indús-trias. Logo, só com produ-ção necessária e suficiente ter-se-ão quantidades e excedentes sejam para a exportação como para a transformação.


Negócios digitais representam novas oportunidades

No segundo painel do evento foram debatidos dois temas, designadamente "Oportunidade de Negócios digitais” e "Os desafios da economia 4.0 em Angola”.

Os convidados foram a directora de Negócios Financeiros Móveis da Unitel, Antonieta Gomes, e a CEO da plataforma de comércio electrónico BAYQI, Fátima Almeida.

Antonieta Gomes entende que os desafios da economia digital angolana têm a ver com a adopção de tecnologias como modo de vida.

Para que se tenha uma Angola com mais tecnologia, disse, é necessário implantar uma política para a literacia digital em todo país.

De acordo com a gestora, os desafios da economia digital passam na automação e digitalização dos processos. Para isso, é preciso que se tenham ferramentas e meios, bem como o conhecimento e capital humano para a implementação de formas também a garantir a segurança no meio desses processos.

A responsável faz um balanço positivo do sector a nível nacional a economia digital em Angola está num bom passo, disse, nós temos estado a ver algumas empresas "startup”, cada vez mais a apostar nos produtos e serviços digitais.

Disse ainda que se tem visto, igualmente, a indústria, a recorrer à automação, para optimizar os processos. Portanto, Antonieta Gomes entende que já começa a haver, efectivamente, alguns passos nesse sentido, o que faz afirmar que se está no bom caminho.

Por sua vez, Fátima Almeida afirma ser importante apostar-se em especialistas em segurança da informação para a protecção de dados dos usuários.

Segundo afirma, a tecnologia está presente em vários segmentos desde a banca às áreas mais simples e tem sempre o risco associado.

Tal, torna mais susceptível a quebra de segurança por parte de terceiros. Por isso, defende, é fundamental que se criem políticas e um processo de formação de especialistas, assim como sistemas robustos e bem programados para minimizar esses riscos.

No segundo tema debatido, "Do Emprego à Inovação – Escolha um Problema para Resolver” estiveram como oradores a directora-adjunta da SONILS, Anabela Marcos, a consultora de Negócios Irene dos Santos,   o director de Particulares da KixiCrédito, Tirso Figueira, e a advogada, Eva Nelumba.

Os especialistas defenderam o fomento dos investimentos para as iniciativas dos jovens, bem como a aposta na formação técnico-profissional, para o aumento do empreendedorismo e o emprego de subsistência.

Por outro lado, foi ainda abordada a importância dos estágios profissionais para os jovens recém-licenciados.

A directora-adjunta da SONILS, Anabela Marcos, avançou que são bem-vindas as iniciativas no sector petrolífero, mas que são necessários cuidados redobrados, pois é um sector que lida com muitos riscos. Entretanto, acrescentou, todos os anos são disponibilizadas 30 vagas para estágios no sector petrolífero com o intuito de estimular esse segmento.

Fonte: Jornal de Angola 30.07.23

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