Um total de 25 mil toneladas de arroz vai ser produzido na presente campanha agrícola, no município do Luquembo, 275 quilómetros a Sul da sede da província de Malanje, numa área de cinco mil hectares pela empresa Marsiris, com a envolvência do sector Familiar.
A garantia foi dada ao ministro da Agricultura e Florestas, Francisco de Assis, quando procedia, na última quinta-feira, a uma radiografia às áreas de produção de arroz no município de Luquembo.
A visita decorreu no âmbito da nova estratégia de relançamento da cultura do algodão com a envolvência do sector empresarial e Familiar.
A fazenda Marsiris conta com uma área total de 20 mil hectares de terras e preparou 100 hectares para igual número de famílias. Garante, por via disso, o apoio em assistência técnica, "in puts” agrícolas e assistência técnica às famílias e pequenos agricultores interessados no processo de produção do cereal.
O director da Fazenda Marsiris, Ly Yung, disse que, nesta altura, toda a atenção está focada para a produção e que o objectivo é abastecer o mercado nacional na máxima capacidade do empreendimento agro-industrial, tendo em conta a procura pelo produto que ainda se faz sentir internamente.
A Fazenda Marsiris produziu, na campanha agrícola de 2022, quatro mil toneladas de arroz.
O ministro Francisco de Assis visitou ainda a Fazenda Planeta, com uma área total de quatro mil hectares de terra, das quais tem preparadas 200 hectares. Espera, por isso, colher mil toneladas, sendo 8 por hectar, de acordo com a agronóma Denise Demba.
No primeiro ano de produção, iniciado em 2022, foram trabalhados 50 hectares com uma colheita de 125 toneladas.
Para Denise Demba, uma das responsáveis da Fazenda Planeta, o país precisa de deixar as importações de bens com capacidade interna e produzi-los com o foco na satisfação das necessidades de consumo da população, tendo em conta o custo de vida e as estratégias de combate à fome e à pobreza.
Na ocasião, o ministro da Agricultura e Florestas procedeu a entrega de "in puts” agrícolas para alavancar a produção de arroz no município de Luquembo, entre as quais enxadas, catanas limas, moto cultivadora, pás e fertilizantes. Prometeu, para breve, o envio de três toneladas de sementes de arroz e sementes.
"Este ano é de fazermos o arroz e Luquembo tem de dar uma presença muito forte neste processo, visto que o país ainda gasta muitas divisas na importação do cereal, mas temos as terras férteis e condições de água e clima, além de pessoas que sabem produzir, entre os quais se sobressaem também os melhores filhos do Luquembo, segundo conformaram as autoridades tradicionais”, disse.
Francisco de Assis avaliou igualmente o nível de produção da Fazenda Grãos de Esperança, do Grupo Empresarial "Bonsai”. A mesma conta com uma área de três mil hectares e prevê produzir 500 hectares de arroz na presente campanha agrícola.
O director da referida fazenda, Wanderley Ribeiro, disse que a empresa conta já com uma unidade fabril de descasque de arroz, cuja capacidade é de três mil toneladas/ano.
Francisco de Assis promete dar todo o suporte que tiver ao alcance do seu pelouro através da assistência técnica, e fazer com que as famílias participem nos canais de escoamento numa altura em que já foram bem conseguidas empresas para poderem trabalhar com as famílias e terão a responsabilidade da aquisição da produção final para que os produtores não tenham dificuldades de comercialização do seu produto.
"O Ministério da Agricultura está a preparar-se para que cada vez mais as famílias e a população em geral e empresários possam produzir em qualidade e quantidade para o mercado, estamos no bom caminhado e com esperança de que tudo vai dar certo”, referiu.
Na quarta-feira, o ministro Francisco de Assis orientou a reunião sobre a visão estratégica par desenvolvimento do cultivo de arroz a nivel da região Songo, que compreende os municípios de Luquembo, Cambundi Catembo e Quirima, com uma reserva de 250 mil hectares para o cultivo deste cereal.
O encontro juntou empresários do sector Agrícola, membros do Governo Provincial de Malanje, administradores municipais, entre outras individualidades.
Francisco de Assis disse que o sector vai trabalhar com as empresas-âncoras, no caso as fazendas, nesse processo de produção e processamento, devendo as mesmas procederem a aquisição da produção das famílias e dos pequenos agricultores, dar uma marca e comercializar o arroz.
Segundo fez saber ainda o ministro da Agricultura e Florestas, está acautelada toda a cadeia do arroz desde a produção, processamento e embalagem, através de programas como o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), Programa de Desenvolvimento Agrícola Comercial (PDAC) ou outra iniciativa do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
Francisco de Assis disse que espera contar com os esforços do Ministério que dirige e do Governo provincial de Malanje e das administrações municipais para a materialização das estratégias de desenvolvimento e relançamento do arroz, em Malanje. O ministro trabalhou também nos municípios de Cangandala e Cacuso, onde inspeccionou, igualmente, as actividades do sector.
Fonte: Jornal de Angola - 20/08/2023