A chefe de Departamento do Instituto dos Serviços Veterinários de Angola em Benguela, Elizabete Conde, anunciou, terça-feira, ao Jornal de Angola, que foi detectada, em Maio último, um surto de peste suína nessa província.
Alguns criadores notificaram a morte em escala de animais nos seus rebanhos, após o que os serviços sanitários do Ministério da Agricultura e Florestas constataram haver indícios da peste suína, uma doença altamente infecciosa entre os rebanhos, matando de forma rápida.
De acordo com a fonte, foram feitas recomendações aos criadores para não movimentem os rebanhos e, caso o façam, a fazê-lo com o acompanhamento de especialistas, além de terem sido proibidos de fazer qualquer venda.
Nessa mesma altura e por medida preventiva, o director-geral dos Serviços Veterinários emitiu a Circular Nº 07, de 05 de Maio, que proíbe a circulação de porcos na província, até que a doença fique controlada ou estancada.
O raio de infecção da peste suína é muito alto, podendo contaminar país inteiro, pelo que foi imposta uma cerca sanitária a Benguela, apesar de haver algum incumprimento, sublinhou a médica veterinária. Além disso, por via do Gabinete Provincial da Agricultura, deu-se a conhecer às autoridades competentes, como a Polícia Nacional, para impedirem a circulação de suínos, o que também não está a ser totalmente observado.
"Devido ao surto, anunciamos rapidamente ao Governo Provincial que havia mortalidade de porcos em grande escala em pocilgas de criadores", adiantou.
Como medida de prevenção, apelou-se aos criadores no sentido de enterrarem os animais, em caso de morte repentina, ou chamarem as autoridades para o devido tratamento, realçou.
Tiraram-se amostras de sangue que foram enviadas pela Direcção-Geral para a Humpata, onde existe um laboratório competente, para que sejam feitos com rigorosidade os exames.
No último fim-de-semana, foi apreendida, pela Polícia Nacional, no Cuanza-Sul, uma carrinha com mais de 100 porcos que tinham Benguela como origem.
"Quer dizer, não se está a cumprir com a circular que impõe a cerca sanitária e, nesta altura, fica complicado, por ter-se perdido o controlo da saída de porcos de Benguela para outras localidades ou mercados de venda”, denunciou.
Vacinação de bovinos no Cuando Cubango
Um total de 6.380 bovinos foram vacinados contra surtos epidémicos, durante o primeiro semestre do ano em curso, na província do Cuando Cubango, anunciou, ontem, na cidade de Menongue, o chefe da área Técnica dos Serviços Veterinários.
Victorino Filipe disse ao Jornal de Angola que, durante o período, foram ministradas 6.500 doses de vacinas do tipo PPCB, dermatite modular bovina, carbúnculo assintomático e hemático, bem como febre aftosa, esta última, bastante contagiosa e com potencial para atacar animais de qualquer raça e até seres humanos que consumam carne contaminada.
Os animais foram vacinados nos municípios de Menongue, Cuito Cuanavale, Cuangar, Calai, Rivungo e Mavinga, sem que a campanha de vacinação tenha abarcado as regiões do Cuchi, Dirico e Nancova por falta de técnicos e recursos financeiros.
Victorino Filipe disse que os Serviços Veterinários tinham como meta vacinar cerca 300 mil cabeças, mas, devido às dificuldades que o sector atravessa, sobretudo a falta de transporte, meios técnicos e financeiros, não foi possível atingir a cifra preconizada.
Fonte: Jornal de Angola - 30/08/2023