Arquivo de Notícias

Médico veterinário defende preservação dos animais autóctones.

Imprimir

Huambo - O médico veterinário Moras Cordeiro defendeu hoje, quarta-feira, maior protecção e preservação das raças de animais autóctones de Angola, visando o aumento da população animal no país.

O também coordenador do projecto de caracterização das raças autóctones de Angola falava à margem do Workshop sobre o papel das instituições e estruturas locais para a criação de uma nova geração de recursos humanos focados na produção e melhoramento animal, que decorre na cidade do Huambo.

O evento, com a duração de dois dias, conta com a participação via presencial e on-line, de mais de 60 docentes e investigadores das Faculdades de Medicina Veterinária das universidades José Eduardo dos Santos (Angola) e de Lisboa (Portugal).

Em declarações à imprensa, Moras Cordeiro defendeu necessidade da se continuar a salvaguardar a manutenção da raça dos animais autóctones, para que se possa criar condições para a multiplicação da população animal no país.

De acordo com o especialista, os animais de origem local têm um grau de resistência extraordinária aos climas e condições do país, se comparado aos importados e melhorados.

“É errado pensar que as nossas raças não prestam, porque não têm qualidade, preferindo as importadas ou melhoradas, uma que elas são as mais adequadas para se reproduzir no país por resistirem bem às nossas condições naturais e climatéricas”, explicou.

Moras Cordeiro contrariou, por outra, as teses segundo a qual a raça autóctone é pouco produtiva, referindo que nunca foi explorada nas mesmas condições que os animais da Europa.

Afirmou que a aposta nas raças importadas ou melhoradas, para além de ameaçar a extinção das autóctones, pode comprometer o crescimento da população animal no país, pois dificilmente se adaptam às condições locais, estando sujeito a contrair várias doenças, para além de exigirem cuidados redobrados com recursos a meios com custos elevados e de difícil aquisição por serem importados.

Por isso, apelou ao Ministério da Agricultura e Floresta para ter maior preocupação na defesa e preservação das raças autóctones.

Apontou como medida, a criação de associações e cooperativas de criadores familiares, bem como a atribuição de inventivos para que possam elevar os seus níveis de produção.

Quanto ao projecto de caracterização das raças autóctones de Angola, disse que o mesmo começou em 2022, com um pequeno trabalho sobre a caracterização da espécie suína do Bailundo e que já resultou numa tese de mestrado defendida, no mesmo ano, em Portugal.

Através do mesmo, disse, pretende-se criar uma equipa que faz a caracterização de toda raça autóctone do gabo bovino, caprino, ovino, suíno e aves, incluindo o cão doméstico, para se saber as suas verdadeiras origens.

Para o efeito, informou que foi criada uma equipa que está a fazer um levantamento nas zonas mais recônditas em todo território nacional, para tentar encontrar espécie pecuária que, ainda, não terão sofrido alterações ou cruzamento com a raça melhoradora, fazer colheitas de amostras para depois de desenvolver, posteriormente, um estudo da genética.

O mesmo projecto, acrescentou, tem o prazo de oito a dez anos e que se perspectiva, no final, que resulte em 36 teses de licenciatura, 18 de mestrado e 10 de doutoramento.

Por sua vez, o docente da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa e formador do workshop, Alexandre Leitão, defendeu a formação contínua dos criadores para que adquiram os conhecimentos necessários sobre as práticas adequadas da criação de animais, quer através das raças autóctones ou melhoradas.

O académico destacou, igualmente, a importância do conhecimento na garantia de uma melhor prevenção dos animais contra as diversas doenças que podem perigar a sobrevivência das duas raças.

Os participantes ao workshop estão abordar temas como “Programas de melhoramento: Soluções simples e poderosas para a linhagem”, “Peste suína africana: doença em Angola, a situação global e a perspectiva futura do seu controlo”.

Consta, ainda, da agenda de trabalho, entre outros temas, a “Besnotiose bovina: uma doença pouco conhecida com elevado impacto na produção” e “ A análise e avaliação da diversidade genética utilizando dados de genotipagem de elevada densidade”.

O projecto de caracterização das raças autóctones de Angola está a ser implementado no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Técnico do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia e Inovação, com financiamento do Banco Mundial. VKY/ALH

Fonte: Angop- 06 Setembro De 2023

Agroportal