O Governo e a Associação Sul-africana de Avicultura anunciaram, na terça-feira, o abate de cerca de 7,5 milhões de galinhas, num esforço para conter o surto de duas estirpes distintas de gripe aviária que ameaçam criar uma escassez de ovos e de aves no país.
Pelo menos, 205 mil galinhas morreram de gripe aviária em cerca de 60 surtos separados na África do Sul, com mais da metade na província de Gauteng, que inclui a maior cidade do país, Joanesburgo, e a capital, Pretória.
O director-geral da Associação Sul-africana de Avicultura, Izaak Breitenbach, disse que as 7,5 milhões de aves representavam entre 20 e 30 por cento do total de frangos do país da África Austral.
Por sua vez, o ministro da Agricultura, Thoko Didiza, disse que o Governo previa acelerar novas licenças de importação, a fim de as empresas importarem ovos "para garantir fornecimentos suficientes aos consumidores”.
O Ministério prevê iniciar um programa de vacinação para travar os surtos de gripe aviária, numa altura em que o número de explorações agrícolas com casos está a aumentar.
Proibição das importações
A vizinha Namíbia proibiu as importações de carne de frango e ovos da África do Sul.
Os surtos estão a atingir a indústria que já enfrenta dificuldades devido à crise eléctrica.
O director-geral da Associação Sul-africana de Avicultura, Izaak Breitenbach, informou que a África do Sul teve três grandes surtos de gripe aviária, nos últimos anos, e os mais recentes foram, "de longe, os piores”, custando à indústria perdas de, pelo menos, 25 milhões de dólares.
Salientou que as vacinas precisariam de ser importadas e, "esperançosamente”, estariam prontas para uso em dois a seis meses.
O presidente do grupo avícola da Associação Veterinária Sul-Africana, Wilhelm Mare, disse que cerca de 8,5 milhões de galinhas poedeiras poderiam ser afectadas e mais de 10 milhões de aves no total.
Surto aumenta no mundo
Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América afirmaram, no mês passado, que os surtos de gripe aviária estavam a aumentar a nível mundial, com mais de 21.000 surtos entre 2013 e 2022. A gripe aviária raramente infecta seres humanos.
Os agricultores sul-africanos afirmaram, em Janeiro, que foram forçados a abater quase 10 milhões de pintos, uma vez que a economia mais avançada de África sofreu apagões recordes no início do ano, causando um abrandamento elevado da produção, o que levou à sobrelotação das explorações de frangos.
A indústria avícola também pressionou o Governo sul-africano para impor taxas permanentes a países como Brasil, Dinamarca, Polónia, Espanha e os Estados Unidos, pelo que a indústria chama de "dumping” de produtos de frango baratos na África do Sul, ameaçando negócios locais.
Fonte: Jornal de Angola - 05.Outubro de 23