Os produtores de cacau na província de Cabinda estão a gerar para si, nestes últimos tempos, uma renda média mensal “considerável” , resultante da fase de colheita que chega a variar entre quatro e seis etapas durante o ano.
De acordo com o coordenador do Projecto de Cadeia de Valor Agrícola, José Fernandes, esta iniciativa, levada a cabo nos últimos seis anos na província de Cabinda, está também direccionada à produção de café e palmar, além da introdução de feijão e milho.
Segundo informou, o quilo de cacau está a ser comercializado por 400 kwanzas.
Durante a jornada de campo da governadora provincial, Mara Quiosa, em que passou pelos projectos desta iniciativa privada em parceria com o Governo de Angola, José Fernandes afirmou que se tem estado a registar bons resultados, através de famílias camponesas dos quatro municípios, designadamente Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize.
"Além do fomento das culturas de cacau, palmar e do café, o Projecto Cadeia de Valores Agrícolas dedica também uma atenção especial à produção de feijão, milho, diversas espécies de batatas de predominância local, mandioca, banana e soja, sem no entanto descurar da pecuária e da criação de aves (avicultura).
Visão do Governo
A governadora da província de Cabinda, Mara Quiosa, disse, na ocasião, que a aposta local na agricultura visa garantir auto-suficiência alimentar e melhorar a dieta das populações, "por se tratar de uma gran-de ferramenta no combate à fome e à pobreza”.
A governante louvou a iniciativa do grupo empresarial Abílio de Amorim, que apostou no sector agrícola. Apelou, por outro lado, a todos os produtores para a necessidade de não só se dedicarem ao cultivo de produção bruta, mas também olharem para o segmento da transformação, por ser uma via passível de gerar rendimentos às famílias. Para os grandes produtores, esta é uma mais-valia ao processo de diversificação de economia.
Reabilitação de estradas para melhorar escoamento da colheita
Obras de reabilitação das vias secundárias e terciárias, em estado avançado de degradação, estão a ser realizadas em Cabinda, no âmbito do Projecto de Cadeia de Valor Agrícola.
O objectivo dos promotores é facilitar o acesso às zonas de cultivo.
O coordenador provincial do Projecto de Cadeia de Valor Agrícola, José Fernandes, fez saber que as obras, em termos efectivos, começarão em breve, após a validação recente do projecto pelo Tribunal de Contas.
No final da visita da governadora Mara Quiosa à fazenda agrícola do grupo Abílio de Amorim, na aldeia de Mandarim, município de Cacongo, 45 quilómetros a Norte da cidade de Cabinda, José Fernandes disse que depois do Tribunal de Contas ter aprovado o projecto de reabilitação de estradas, as obras começam.
Numa primeira fase, apenas no município de Cabinda, concretamente na localidade de São Vicente. Segue-se depois, isto já na segunda fase, a aldeia de Mandarim, no município de Cacongo.
Sobre as razões da escolha da localidade de São Vicente, no município de Cabinda, José Fernandes justificou com o facto de ser uma localidade que "liga ao maior centro de produção agrícola”, cujas vias devem ser, necessariamente, intervencionadas para facilitar o escoamento de produtos das zonas de cultivo para a cidade.
Quanto à aldeia de Mandarim, em Cacongo, também contemplada com as obras de reabilitação de vias secundárias e terciárias, esta foi contemplada por ser uma localidade com um forte potencial agrícola e que tem estado a apresentar "boas colheitas”.
José Fernandes admitiu que o Projecto da Cadeia de Valor Agrícola, apesar de ter um pendor virado à agricultura e com o foco na produção e transformação, aposta também em projectos de recuperação de estradas, por ser um eixo fundamental para o escoamento dos produtos agropecuários das zonas de cultivo para a cidade.
"Com as vias de acesso devidamente reabilitadas, os índices de produção poderão aumentar e com ganhos imensuráveis para os empresários que investem no sector, assim como para a própria população de um modo geral”, notou.
Fazenda do grupo Abílio Amorim é referência do sector
O grupo Abílio Amorim é um dos beneficiários do projecto Cadeia de Valor Agrícola e dedica-se à produção de cacau, café, palmar, goiabeiras, e algumas mudas de plantas diversas e também no fomento da pecuária, concretamente de gado caprino.
A fazenda está localizada na aldeia de Mandarim, no município de Cacongo, e está implantada numa área de 1.000 hectares. Conta com 50 trabalhadores e um técnico agrónomo de nacionalidade portuguesa.
O administrador do Grupo Abílio de Amorim, Herculano de Amorim, proprietário da fazenda, disse que o projecto teve início em 2016 e possui 400 hectares de palmar, 15 de goiabeiras, sete de mudas diversas, com destaque para abacateiros, mangueiras e limoeiros.
Segundo Herculano de Amorim, a fazenda tem um viveiro de 1.000 mudas de plantas diversas para atender não apenas as necessidades da empresa, mas também as várias famílias dos quatro municípios da província.
Anunciou que o Grupo tem em perspectiva, isto é, até 2025, a instalação de uma fábrica de óleo de palma, para auxiliar todos aqueles que pretendem transformar o dendém, também para atender as necessidades da empresa.
Fonte: Jornal de Angola - 23/10/2023