Luanda - A Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) quer que a produção de alimentos no país priorize a qualidade como parte do processo de segurança nutricional e alimentar, deu a conhecer o seu director-geral, Carlos Cambuta.
Segundo o JA, o responsável prestou esta informação à margem de um seminário realizado recentemente em Luanda, que apreciou a estratégia nacional de segurança nutricional e alimentar.
Carlos Cambuta sublinhou que a segurança alimentar e nutricional deve acompanhar a qualidade como aspecto inerente à produção.
Referiu que, para se atingirem estes níveis, é necessário produzirem-se alimentos com qualidade, porque a questão da saúde depende, essencialmente, da alimentação consumida.
Indicou que para a produção de alimentos que reúnam qualidade, todos os intervenientes do sistema alimentar devem adoptar boas práticas de cultivo, entre as quais a utilização de adubos orgânicos.
Carlos Cambuto frisou no contexto de Angola, deve-se com alguma urgência constituir e manter funcional o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, para levantar questões concretas sobre esse importante tema.
Um outro aspecto a ser considerado, explicou, tem a ver com o facto de alguns cidadãos ainda consumirem alimentos baseados nos seus hábitos e costumes.
Para a ADRA, apesar de o país ainda não estar avançado em matérias do género, em comparação com outras geografias, precisa-se, igualmente, desenvolver discussões com alguma metodologia, de tal modo a evitar grandes defeitos.
Em relação a implementação de uma metodologia segura para o programa, sugere que se analise antes, de forma ampla e abrangente com todos os sectores do território nacional, incluindo os departamentos ministeriais que vão possibilitar prestar maior atenção às outras dimensões que não sejam apenas o de produção.
"A taxa de insegurança alimentar na província da Lunda-Norte, por exemplo, está na ordem dos 26 por cento, o que quer dizer que em cada dez cidadãos três não têm acesso aos alimentos com o mínimo de qualidade exigível”, disse.
Afirmou ainda que face a esta situação, a ADRA vai levar uma série de contribuições relacionadas ao financiamento das comunidades junto do Ministério da Agricultura e Florestas e outros parceiros.
De acordo com o director-geral ADRA, a dinâmica assenta na promoção da produção interna para satisfazer a demanda, "porque temos sentido uma redução significativa na capacidade de importação”.
Apesar do trabalho de base que ainda está a ser feito, disse que a perspectiva é boa, e para que o programa se concretize, é necessário que sejam melhoradas, também, as vias de acesso e o apoio de nutricionistas, associação de cozinheiros e pasteleiros, do Ministério dos Transporte e outros.
Luanda acolheu, recentemente, o II Seminário de Revisão da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional organizado pelo Ministério da Agricultura e Florestas e parceiros.