O que é o mercado do carbono? Emanuel Bernardo, Presidente da Associação Angolana do Mercado do Carbono (AAMC), respondeu esta pergunta, em entrevista ao Jornal de Angola. O mercado do carbono é uma ferramenta crucial para a promoção de sustentabilidade e diversificação económica em Angola e pode ajudar o país a cumprir metas climáticas globais, reduzir a pobreza e atrair investimentos estrangeiros, frisou Emanuel Bernardo.
O Papel da AAMC na Implementação do Mercado do Carbono
Criada em Janeiro de 2024, a AAMC almeja promover a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) tal como orientado no Acordo de Paris. Actuando como parceira do governo, a associação também busca viabilizar projectos sustentáveis, como conservação florestal, reflorestamento e energias renováveis.
O Que é o Mercado do Carbono, na prática?
É atribuir preços a poluição. É o núcleo das alterações climáticas. Ou seja, é o meio para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O mercado do carbono funciona com base no princípio de “quem polui mais, paga mais; quem polui menos, ganha mais”, explica Emanuel Bernardo. Grandes emissores como EUA e China compensam suas emissões ao financiar projectos que reduzem ou capturam carbono, gerando créditos do carbono que podem ser negociados internacionalmente.
Benefícios para Angola
Bernardo apontou, ainda, que Angola possui condições ideais para liderar o mercado do carbono em África devido a factores como estabilidade política, vasto território e relações diplomáticas. E, entre os benefícios esperados estão:
- Geração de receitas adicionais;
- Diversificação das exportações;
- Estímulo às práticas sustentáveis na indústria e na agricultura;
- Mobilização de financiamento e investimento estrangeiro.
A Importância dos Créditos do Carbono
Os créditos de carbono são certificados que representam a redução ou remoção de uma tonelada de dióxido do carbono. Eles surgiram do Protocolo de Kyoto e são instrumentos essenciais para reduzir o aquecimento global. Em Angola, iniciativas como o Corredor do Lobito demonstram o potencial do país para gerar esses créditos, visto que em Dezembro, na recente cimeira, a direcção do Corredor comprometeu-se com iniciativas do baixo carbono, sustentabilidade e a nossa cadeia de valor definida.
Desafios e Oportunidades Para o País
Embora Angola ainda não possua um sistema nacional totalmente estruturado para o mercado do carbono, esforços significativos estão em curso. A AAMC, em colaboração com parceiros como a Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto e a empresa Verra Standard, está a elaborar um "plano estratégico" para implementar este mercado de forma sustentável. Além disso, há uma parceria estratégica com a petrolífera Total Energies, concentrada em identificar e diagnosticar áreas com potencial para investimentos que resultem na geração de créditos do carbono. Entre os principais desafios enfrentados estão o desenvolvimento de uma legislação específica e a promoção de uma maior alfabetização ambiental, ambos essenciais para garantir o sucesso desta iniciativa.
O Que Esperar?
Com investimentos estimados em USD 1 bilhão para projectos de conservação florestal e reflorestamento nos próximos sete anos, Angola pode criar três mil postos de trabalho e posicionar-se como líder na agenda climática africana. Além disso, o “Angola Climate Action Summit 50 Anos” promete consolidar o compromisso do país com a sustentabilidade.
O mercado do carbono representa uma oportunidade única para Angola equilibrar desenvolvimento económico e preservação ambiental. Com liderança política e engajamento da sociedade, o país pode transformar desafios climáticos em um motor para o crescimento sustentável.
Quinta- Feira - 16.01.25