Em entrevista exclusiva ao Jornal de Economia & Finanças, a Ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, destacou a robusta transformação do sector pesqueiro, que, ao longo de 50 anos de independência, evoluiu de uma actividade artesanal para um pilar estratégico da economia nacional. Segundo a Ministra, o sector – responsável por 3% do PIB e pela geração de mais de 150.000 empregos directos – é hoje motor de crescimento e inovação, apoiado por uma gestão comparticipada que integra conselhos técnico-científicos e de gestão integrada para reforçar a fiscalização e a monitorização ambiental.
Liderança e Compromisso com a Sustentabilidade
Carmen do Sacramento Neto tem implementado políticas que visam a modernização das operações pesqueiras e o equilíbrio entre o crescimento económico e a preservação dos recursos naturais. O seu compromisso é evidente na erradicação da pesca ilegal e no incentivo à aquicultura sustentável – medidas que reforçam a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental do país. A Ministra sublinhou ainda a importância da cooperação com armadores, comunidades piscatórias e parceiros internacionais, como a Noruega, a Espanha e organismos da FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), para a transferência de conhecimento técnico e científico.
Objectivos Ambiciosos e Metas Claras
Entre as metas traçadas pelo governo, destaca-se a ambiciosa proposta de atingir 50.000 toneladas de produção aquícola anual até 2030. Este objectivo inclui a modernização dos principais portos do país, aliada à implementação de rigorosos processos de controlo de qualidade, que passam pela actualização da frota e monitorização por satélite. Em consonância com estes planos, projecta-se uma produção total de 723.419 toneladas em 2025, com uma taxa de cobertura do consumo interno de 96%, conforme os preceitos do Plano Nacional de Desenvolvimento 23/27.
Crescimento e Impacto no Sector Pesqueiro
Os números reflectem o impacto positivo das políticas adoptadas. Em 2024, a produção total do sector atingiu 664.491 toneladas, um crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. A aquicultura, em particular, registou um salto expressivo de 109,2%, alcançando 22.047 toneladas, enquanto a produção de sal atingiu 284.644 toneladas, com uma taxa de cobertura do consumo interno de 99,67% – resultados que superam as metas estabelecidas no Plano de Pescas.
Impacto do Sector na Exportação e no Desenvolvimento Social do País
Durante a entrevista, a Ministra referiu que o fortalecimento do capital humano é uma prioridade. Carmen destacou que 150 mil pessoas são empregados directos do sector das Pescas e ainda enfatizou que o sector tem a capacidade para gerar empregos indirectos através de serviços conexos. Adicionado a isso, a Ministra frisou que estão a ser feitos investimentos para a formação de mais de 2.000 pescadores e para a melhoria das condições de trabalho das comunidades piscatórias.
Paralelamente, a Ministra referiu, também, que em 2024, Angola exportou 12.615 toneladas de peixes e mariscos, com uma receita de 33,7 mil milhões de kwanzas, com os crustáceos a representar 74,9% das exportações.
Inovação e Modernização para um Futuro Sustentável
O caminho para a sustentabilidade passa pela implementação de medidas inovadoras e de modernização. A instalação de laboratórios certificados, a actualização tecnológica da frota e a utilização de sistemas de monitorização por satélite são elementos cruciais para garantir a qualidade dos produtos e a eficiência do sector. Adicionalmente, a expansão das zonas ecologicamente sensíveis e a redução da pesca de arrasto fazem parte de um conjunto de iniciativas destinadas a assegurar uma gestão sustentável dos recursos marinhos.
Investimento na Formação e no Desenvolvimento Social
Investimentos significativos estão a ser direccionados para a formação de mais de 2.000 pescadores e para a melhoria das condições de trabalho das comunidades piscatórias. Estas iniciativas sociais têm um papel determinante na segurança alimentar e no desenvolvimento sustentável, contribuindo para o sector crescer e se torne um exemplo de inclusão e progresso.
Visão Estratégica para 2050
Com olhar futurista e ambicioso, Carmen Neto concluiu que “Angola está a passar por uma transformação robusta, com foco na sustentabilidade, inovação e envolvimento das comunidades (…)”. Além disso, referiu que o governo angolano projecta, para 2050, triplicar o valor do sector pesqueiro, elevando a produção aquícola anual para além de 800.000 toneladas. Em conclusão a Ministra declarou que “com esta visão estratégica, até 2050 o país posiciona-se como referência regional e internacional na gestão dos recursos marinhos e na economia azul”.
Com metas claras e uma liderança comprometida, Angola mostra que o futuro do sector das pescas passa pela modernização, sustentabilidade e cooperação internacional – ingredientes essenciais para transformar desafios em oportunidades e consolidar um crescimento económico sólido e inclusivo.
Sexta Feira, 21 de março de 2025