Empresários de Angola, França e Portugal reuniram-se nesta quarta-feira (26) em Luanda para fortalecer parcerias comerciais e discutir desafios económicos, como atrasos nos pagamentos, instabilidade cambial e inflação. O evento, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) e pelo Clube dos Empresários Franceses em Angola (CEFA), contou com a presença do Ministro dos Transportes angolano, Ricardo Viegas d’Abreu, da Embaixadora francesa Sophie Aubert e do Embaixador português Francisco Alegre Duarte.
Intervenientes
Ricardo Viegas d’Abreu, foi o responsável pelo discurso de abertura do evento e abordou questões ligadas às infraestruturas e à cooperação empresarial entre Angola, França e Portugal, com foco no crescimento conjunto e sustentável. Além disso, o evento contou com apresentações feitas pelos coanfitriões, o Presidente da CCIPA, João Traça, e o Secretário-Geral do CEFA, Emídio Fragoso.
No entanto…
O principal destaque do encontro foi o discurso de Francisco Alegre Duarte, embaixador de Portugal em Angola.
Observações do Embaixador de Portugal em Angola
Francisco frisou, entre outras coisas, a excessiva dependência de Angola nas exportações de petróleo. Isso, segundo ele, representa uma fragilidade para o país. Mas isso não é tudo.
Francisco lamentou, também, que entre os factores que impactam negativamente os planos de investimentos em Angola estão: “os atrasos nos pagamentos, a instabilidade cambial, a dificuldade no repatriamento de capitais, a inflação, as taxas de juro praticadas pela banca e a falta de mão-de-obra qualificada”. E tem mais.
Duarte afirmou, ainda, que Portugal e a França são os dois parceiros que “mais e melhor emprego geram” em Angola. E, relembrou que a concessionária do Corredor do Lobito, Lobito Atlantic Railway (investimento de centenas de milhões de euros), é composta por três empresas privadas europeias, sendo uma delas a Mota-Engil. Mas, isso não é tudo.
Segundo a CCIPA, mais de 1.250 empresas portuguesas operam em Angola, gerando fluxos comerciais de milhares de milhões de euros anuais.
Contudo…
O Embaixador de Portugal em Angola, concluiu as suas observações ao reitarar que “a melhor forma de Angola atrair novas empresas portuguesas - e isto vale também para as outras empresas europeias - é acarinhar aquelas que já cá estão, e que aqui se mantiveram nos bons e nos maus momentos”.
Em suma, o encontro, dirigido aos empresários e profissionais dos três paises promoveu o “networking”, destacou desafios, sugeriu soluçõe e serviu para fortalecer relações que podem, a médio ou longo prazo, tornar-se parcerias sólidas. E isso, tendo em conta a firme relação comercial que Angola tem com França e Portugal, evidenciado no seguinte facto: em 2023, Angola foi o 9º maior destino das exportações portuguesas, com um volume de negócios de 1,26 mil milhões de euros e o volume comercial bilateral com a França atingiu 2 mil milhões de euros, com planos para criar uma Câmara de Comércio França-Angola em 2025.
Sexta feira - 28.Março.2025


