Num movimento estratégico para catapultar as suas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) para o mercado global, Angola facilitou a participação de mais de 100 empresas detentoras do selo "Feito em Angola" na 17.ª Cimeira Empresarial EUA-África. O evento, que decorrerá em Luanda de 22 a 25 de Junho de 2025, concedeu um substancial desconto de 80% nas taxas de participação, sublinhando o compromisso do governo angolano com a diversificação económica e o fortalecimento das relações comerciais internacionais.
Bráulio Augusto, Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), confirmou em entrevista à Rádio Nacional de Angola (RNA) que as empresas beneficiárias pagaram apenas 200 dólares, em contraste com os 1.000 dólares habitualmente cobrados pela organização da cimeira. Este incentivo financeiro visa remover barreiras à participação e garantir que um vasto leque de empresas angolanas possa aproveitar esta plataforma de alto nível.
O Selo "Feito em Angola": Mais do que uma Marca
O selo "Feito em Angola", criado em 2012 pelo Ministério da Economia, transcende a mera identificação de produtos nacionais. Os seus objectivos primordiais são a mobilização das empresas para o crescimento económico, a melhoria da competitividade de bens, serviços e produtos angolanos, a dinamização das MPME, a promoção do empreendedorismo, a criação de empregos e o combate à pobreza através do fomento da produção interna. Adicionalmente, as empresas com este selo beneficiam de prioridade nos processos de contratação pública desde 1 de Janeiro de 2024, conferindo-lhes uma vantagem competitiva significativa no mercado interno. A participação subsidiada na cimeira é uma extensão lógica destes benefícios, projetando as empresas para além das fronteiras nacionais.
Um Marco Estratégico para Angola e para as Relações EUA-África
A realização da Cimeira Empresarial EUA-África em Luanda é um marco diplomático e económico de peso para Angola. O governo angolano vê o evento como uma oportunidade ímpar para posicionar o país como um "Hub Estratégico de Comércio e Desenvolvimento", abrindo "novos caminhos para o crescimento económico sustentável". A promoção do investimento e da cooperação internacional é considerada essencial para a concretização de diversos projectos no país, facilitando a transferência de conhecimentos, a aquisição de competências e o acesso a redes de distribuição globais.
Do ponto de vista dos Estados Unidos e da comunidade internacional, o facto de Angola acolher a cimeira sinaliza a ambição do país em acelerar o seu desenvolvimento económico e em fortalecer os laços bilaterais com os EUA. O evento destaca os diversos sectores económicos de Angola, ao mesmo tempo que realça o potencial de investimento mais amplo de África em áreas como energia, infraestruturas, agricultura e tecnologia. Espera-se que a cimeira gere novas parcerias comerciais, colaborações e futuras oportunidades de negócio, e eleve a imagem de Angola como um destino de investimento viável e um parceiro comercial crucial na região.
Preparação e Potencial Pós-Cimeira
O processo de preparação das empresas angolanas para a cimeira incluiu um programa rigoroso de inscrição, capacitação técnica e mentoria, com ênfase na comunicação em inglês, vital para o ambiente internacional do evento. Embora os detalhes específicos sobre o acompanhamento pós-cimeira para estas empresas não sejam publicamente pormenorizados, iniciativas mais amplas do INAPEM, como a assinatura de memorandos com instituições financeiras (ex: Standard Bank) para impulsionar a capacidade empresarial, indicam um ecossistema de apoio contínuo para o desenvolvimento das MPME.
A 17.ª Cimeira Empresarial EUA-África em Luanda é uma montra de oportunidades, que reúne mais de 1.500 participantes, incluindo Chefes de Estado, Ministros, altos funcionários do governo dos EUA e líderes empresariais de ambos os continentes. A presença massiva de empresas angolanas, facilitada por esta política de incentivo, é um testemunho do empenho de Angola em diversificar a sua economia e em consolidar a sua posição como um actor económico de relevo em África.
13 de Junho de 2025