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Grupo Origem CB Inaugura Talho Especializado No Capiri

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O Grupo Origem CB abriu no dia 12 de Junho de 2025 um novo talho especializado dentro do seu supermercado no Capiri, Icolo e Bengo. O espaço, que combina tradição e inovação, promete ir além de um balcão comum de carnes: a empresa destaca o conceito «do campo ao balcão», produzindo internamente a carne que comercializa. O evento contou com a presença da administração do grupo e convidados.

Produção pecuária e metas governamentais

A inauguração insere-se num contexto de forte esforço nacional para aumentar a produção interna de carne. Dados oficiais indicam que até 2021 Angola tinha cerca de 3,24 milhões de bovinos, 1,68 milhão de suínos e 0,38 milhão de ovinos no efectivo pecuário. A Huíla, Cunene e Namibe concentravam 72,4% dos bovinos, clara evidência da importância do sul do país na pecuária nacional. No Plano Nacional de Pecuária. “Planapecuária”, recentemente aprovado, prevê‑se elevar a produção de carne de 224,5 mil toneladas em 2021 para 787 mil toneladas em 2027, aumentando a cobertura interna do consumo de 22,8% para 76%. Este programa ambiciona crescimento acelerado de todos os ramos: aves (+1.400%), suínos (+1.270%), caprinos/ovinos (+95%) e bovinos (+76%) até 2027.

  • Dados oficiais (2021): bovinos (3 242 683), suínos (1 679 872) e ovinos (384 159) em todo o país.
  • Planapecuária (2023–2027): cobertura do consumo de carne de 22,8% para 76% (produção de 224,5 mil t a 787 mil t).

Crescente consumo de carne e substituição de importações

O consumo de carne em Angola tem crescido exponencialmente. Entre 2020 e 2021 verificou‑se forte expansão das carnes aprovadas para consumo interno: bovina (+104%), aves (+152%), caprina (+130%), ovina (+115%) e suína (+54%). No plano de importações destaca‑se o peso da carne brasileira: em 2023 Angola importou 34 325 toneladas de carne suína, sendo o maior mercado africano para o porco brasileiro. De igual modo, importou 55 698 toneladas de frango do Brasil (+47,4%), situando‑se no top 5 dos compradores africanos. A elevada procura doméstica tem pressionado a balança comercial; estudos apontam que actualmente mais de 90% da carne de frango consumida em Angola é importada.

Para inverter este quadro, a substituição de importações por carne local tem forte impacto económico: reduz a dependência externa e retém valor nas zonas rurais. Segundo o IFC, “a falta de matérias-primas e de ração animal” faz com que Angola importe mais de 90% do frango consumido, “o que, para além da pressão na balança comercial, representa uma oportunidade perdida na criação de valor nas zonas rurais”. A estratégia nacional prevê, assim, não só ampliar a produção para o mercado interno, mas também desenvolver todo o sector avícola – de insumos a distribuição – para alcançar maior suficiência alimentar.

Integração vertical e iniciativas no sector alimentar

O novo talho do Grupo Origem CB espelha uma tendência de integração vertical no sector agroalimentar angolano. Exemplo destacado é o Grupo Carrinho, que em parceria com a IFC implementa um modelo que gere todas as fases da cadeia: da originação de matérias-primas ao processamento e distribuição final. O CEO Nelson Carrinho sublinha que o complexo industrial vertical do grupo não só “proporcionará o escoamento para a produção agrícola angolana, mas também o fornecimento de insumos e mercados para o sector de criação de frangos”, o que acelera o crescimento do sector alimentar e a segurança alimentar de Angola. De facto, a IFC apoia iniciativas que capacitam pequenas fazendas e PME para integrar essa cadeia de valor, ao treinar técnicos e cadastrar mais de 50 mil produtores rurais para reforçar a produção local.

Iniciativas análogas surgem noutros segmentos: por exemplo, projetos de agricultura familiar ligados à indústria, ou cadeias de supermercados que gerem a própria criação animal. Estes modelos do campo ao balcão visam reduzir custos de intermediários, garantir qualidade e oferecer produtos mais frescos ao consumidor. No caso do Grupo Origem CB, a abertura do talho especializado dentro do supermercado insere‑se nessa lógica, ao combinar produção própria (o grupo tem setores de criação de gado) com comercialização directa ao cliente.

Impactos económicos e papel das PME

O reforço da produção interna tem efeitos económicos benéficos. Além de melhorar a balança comercial, apoia o desenvolvimento rural e a diversificação económica. O governo observa que, desde 2017, as importações de carne diminuíram devido a políticas de incentivo à produção local e à expansão do número de criadores nacionais. A concretização das metas do Planapecuária depende do investimento e da eficiência de pequenas e médias empresas (MPMEs) e produtores familiares. Nestes modelos, as MPMEs são fundamentais: desde criadores de gado de pequeno porte até ao processamento artesanal de carne, representam a base da cadeia alimentar. Parcerias público-privadas (como a do Grupo Carrinho/IFC) visam precisamente capacitar dezenas de milhares de produtores e PMEs para elevar a produção interna e integrá-los em mercados estruturados.

Em suma, a inauguração do talho do Grupo Origem CB surge num ambiente de políticas que incentivam a auto-suficiência alimentar e valorizam as empresas locais. O investimento em lojas com talhos especializados é um exemplo de integração vertical que alia produção e venda directa, e contribui para que a carne consumida em Angola seja cada vez mais produzida internamente.

20 de Junho de 2025

Agroportal