No dia 14 de Agosto de 2025, a SDBD, Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande (entidade gestora da Zona Franca da Barra do Dande, criada pelo Despacho Presidencial n.º 62/21) assinou os primeiros contratos de investimento da nova Zona Franca da Barra do Dande.
Uma Reserva Nacional de Cereais (Global Grain Angola, Lda) e uma Refinaria de Óleos Alimentares (Refrica Oils & Fats, Lda). Ambos projectos serão contruídos na Barra do Dande, no Bengo, com investimento conjunto superior a USD 64,7 milhões e prazos de execução até 24 meses.
Dados Concretos e Impacto Imediato
A Reserva Nacional de Cereais terá um armazenamento previsto de 470 mil toneladas/ano (milho, soja, trigo e arroz) e ocupará uma área de 250 000 m². Além disso, poderá gerar 212 postos de trabalho directos e 636 indirectos.
Nesta 1ª Fase, o investimento foi USD 34 milhões (e 724.634,97), com conclusão em até 24 meses.
A Refinaria de Óleos Alimentares terá uma produção prevista de 105 mil toneladas/ano (óleo de soja, girassol, palma), numa área de 200 000 m². E, prevê gerar 102 postos directos e 306 indirectos.
Nesta 1ª Fase, o investimento foi de USD 29 milhões (e 995.887,34), também com prazo de 24 meses.
O investimento combinado inicial ronda os USD 64,7 milhões, com 416 empregos directos e 942 indirectos esperados, no total, e uma capacidade conjunta estimada para armazenamento/produção de 575 mil toneladas por ano.
Autoridades e assinaturas
Os contratos foram rubricados pelo Presidente do Conselho Administrativo da SDBD, Adilson Gabriel Alves Catala, e pelo Administrador Executivo, Roque de Lima Saraiva; pelo sector privado assinou Pushpendir DilipKumar Tewani, a representar a Global Grain Angola e a Refrica Oils & Fats.
Contexto económico e necessidade estratégica
O país continua fortemente dependente de importações. Em 2023, as compras de cereais totalizaram cerca de USD 642,8 milhões e o trigo situou-se na ordem de 1,03 milhões de toneladas, enquanto as importações de óleos vegetais representam dezenas a centenas de milhares de toneladas anuais.
Se continuarmos assim, as facturas externas e a vulnerabilidade a choques (preço, logística, câmbio) tenderão a subir; as projecções apontavam para 1,07 Mt de trigo em 2025 e um aumento significativo da procura por óleos, o que afecta reservas cambiais e preços internos.
Diante destes factores, a SDBD posiciona a Zona Franca como instrumento para reduzir importações, captar investimento e verticalizar as cadeias de produção, estoque e refinação.
Possíveis efeitos de curto e médio prazo
Se executados nos prazos, os projectos podem reduzir a necessidade de importações de cereais e óleos, aliviar a pressão cambial e gerar emprego regional; o efeito real dependerá da ligação logística (portos, estradas), eficiência operacional e políticas complementares (incentivos e integração de produtores locais).
Informação adicional
A assinatura destes contratos marca a intenção do Executivo e do sector privado enfrentarem a fragilidade do abastecimento nacional, mas transforma-se em resultado somente se as infraestruturas se integrarem numa cadeia logística funcional e se o Estado assegurar, adicionalmente, políticas industriais e de apoio à produção local.
22 de Agosto. 2025