Talatona (Luanda) - Angola prepara-se para exportar sal de elevada pureza aos países vizinhos, como a República Democrática do Congo e da Zâmbia, no quadro da estratégia de diversificação das exportações e aproveitamento sustentável dos recursos naturais.
A informação foi prestada pela ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen Sacramento Neto, ao intervir terca-feira, em Luanda, na Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS 2025).
A governante afirmou que o sal angolano apresenta qualidade próxima de 100% de pureza e que neste momento, Angola apenas importa sal para indústrias alimentar, cervejeira, equipamentos de hemodiálise e produção de detergente.
Acrescentou que na província de Benguela, está em construção uma fábrica que deve suprir a necessidade de ácido clorídrico, produto importante para o fabrico de detergentes, com vista a ampliar a capacidade industrial nacional e criar novos postos de trabalho, dentro da visão do Executivo de fortalecimento da economia azul.
Afirmou que o sector das pescas vai crescer nos próximos anos, sustentado em evidências científicas e na valorização de activos estratégicos, como o navio de investigação Baía Farta e o Programa Calunga.
Segundo a governante, o Programa Calunga contempla três componentes, nomeadamente, gestão do navio de investigação, a criação de uma base de dados científica partilhada entre o Estado e o sector privado e a modernização do Instituto de Investigação Científica Pesqueira e Marinha, visando responder às exigências da economia azul.
Referiu que o crescimento do sector será impulsionado por uma gestão sustentável dos recursos marinhos e pela reorganização da cadeia de valor do pescado, medidas que segundo ela, vão aumentar a produção e criar mais emprego.
"Estamos a trazer investigação científica e a gerir as pescas do melhor modo possível", disse.
A ministra enfatizou ainda que a sustentabilidade e o desenvolvimento caminham lado-a-lado, com ferramentas que vão permitir um crescimento económico ético e responsável, capaz de gerar prosperidade sem comprometer o futuro das próximas gerações.
Reafirmou a previsão do sector das pescas duplicar a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, alcançando 4,5% nos próximos cinco anos, sustentado em evidências científicas e na valorização de ativos estratégicos.
A CIPAS 2025 junta decisores públicos, especialistas nacionais e internacionais, pescadores, investidores e organizações multilaterais, com o objectivo de promover a concertação e partilha de experiências.
O evento, que decorre no ano em que o país celebra 50 anos de Independência, é visto como uma etapa na consolidação da pesca e aquicultura como motores sustentáveis de crescimento económico, criação de emprego e segurança alimentaar.
O encontro, que se estende até o dia quatro, vai abordar temas como governação, cooperação, mudanças climáticas, inclusão de género e financiamento, sob o lema "Pesca Responsável e Aquicultura Sustentável: Um desafio, um compromisso e uma missão unindo a Nação".
Participam mais de 300 convidados, entre oradores, moderadores e representantes de países como Namíbia, África do Sul, Ghana, Tanzânia, Camarões, Portugal, Espanha, Brasil, Noruega e Alemanha, além de organizações internacionais e parceiros estratégicos do sector. GIZ/MAG
Fonte: Angop - 06 de Novembro de 2025