Moçâmedes - O administrador municipal do Virei, André Cassinda, afirmou esta quarta-feira que o desassoreamento das três represas no município vai impulsionar e transformar a realidade da agricultura familiar na região.
O responsável falava à ANGOP quando fazia o balanço das actividades desenvolvidas durante o ano económico 2025 no município.
André Cassinda disse que foram enfrentados vários desafios pela administração na implementação da agricultura familiar, tendo em conta a escassez água e a irregularidade das chuvas.
Para si, o desassoreamento das represas constitui uma alternativa eficiente para garantir produção, renda, segurança alimentar e a criação de gado no meio rural.
Segundo o responsável, para além de impulsionar a agricultura familiar vai também garantir mais segurança hídrica para pequenos produtores e recuperação ambiental.
Impacto na vida das comunidades
Fez saber que o impacto será directo na vida dos agricultores que passam a contar com uma fonte hídrica mais estável para irrigação de hortas, criação de animais e cultivo de lavouras de subsistência.
Este ganho, explicou, vai impulsionar o desenvolvimento económico do município e a permanência das famílias no campo, com mais segurança para produzir.
"Muitos agricultores deixarão de migrar para os pontos urbanos da província do Namibe em busca de trabalho, mantendo assim vivas as tradições e a economia local", frisou.
Disse que a pretensão é transformar o município do Virei num verdadeiro viveiro agrícola, capaz de abastecer mercados locais.
Ganhos com a recuperação das represas
A par do impacto directo na produção, as represas vão também contribuir na diversificação das lavouras e pequenas criações de viveiros de mudas.
Acrescentou que na prática isso significa mais unidade disponível durante todo o ano, inclusive nos períodos de estiagem, criando condições ideais para o cultivo agrícola.
"O governo tem investido em infra-estruturas hídricas porque sabe que a água é a base do desenvolvimento. Esse projecto gera renda, emprego e dignidade para as famílias do campo", assegurou.
De acordo com o administrador, investir na agricultura familiar é garantir alimento de qualidade na mesa da população e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
"A agricultura familiar é responsável por grande parte dos alimentos que consumimos diariamente. Apoiar esses produtores significa valorizar o trabalho no campo e reduzir desigualdades sociais", afirmou.
Assegurou que estão em carteira políticas públicas voltadas ao pequeno produtor, como acesso a crédito, assistência técnica e programas de compra institucional que são fundamentais para ampliar a produção e melhorar as condições de vida das famílias agricultoras.
Enfatizou também a necessidade de parcerias entre o poder público, cooperativas e instituições de ensino.
Recuperação de estradas
De referir que em 2025 foram assistidos um total de 3 mil e 212 camponeses com insumos e inputs agrícolas, enquadrados em 20 cooperativas e uma associação de 8 mil e 820 controlados pela administração municipal.
No âmbito do redimensionamento da actividade produtiva para o crescimento económico, foram legalizadas duas cooperativas agrícolas e a recepção de 16 processos, que foram encaminhados ao INEFOP para o efeito de financiamento no âmbito do JOBE-Angola.
Foram igualmente atribuídos dois tractores para cooperativas agrícolas "CAMENIM e a PANGUAMBALA", no âmbito do financiamento do FADA, para o apoio a mecanização agrícola e o aumento da capacidade produtiva.
Garantiu ainda que as propostas serão integradas no plano de desenvolvimento local, para além do reforço do compromisso de diálogo permanente com o sector privado.
"Atrair investimentos é essencial para gerar renda, criar empregos e melhorar a qualidade de vida da população", frisou.
No âmbito do Programa Kwenda, o administrador informou que em 2025 foram beneficiadas ao nível do município mais de 6 mil famílias camponesas.LMZ/FA/CS
Fonte: Angop - 07 de Janeiro 2026