O Brasil apresentou a Angola uma proposta para avançar com investimentos na produção alimentar, transferência de tecnologia e cooperação agrícola, envolvendo grandes grupos empresariais e financiamento público, anunciou o ministro da Agricultura e Pecuária brasileiro, Carlos Fávaro, no final de um encontro com a equipa económica do Governo, liderada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
De acordo com o ministro brasileiro, quatro grandes grupos empresariais já identificaram áreas prioritárias de actuação, nomeadamente na produção de cereais, carne bovina e suína, algodão e soja.
Em declarações à imprensa, Carlos Fávaro afirmou que o encontro representou mais um passo no aprofundamento dos acordos de cooperação agrícola entre os dois países, estando já prevista para Março uma deslocação da delegação angolana ao Brasil para acertos técnicos finais, com vista ao arranque das operações no terreno.
“Fizemos questão de trazer formalmente a proposta brasileira, construída num grupo de trabalho com produtores, empresários e o Governo do Brasil, para investimentos em Angola, transferência de tecnologia e cooperação, de modo a que brasileiros e angolanos possam produzir mais nos solos com grande potencial”, referiu.
O ministro explicou que o plano inclui igualmente mecanismos de financiamento, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, recorrendo a linhas de crédito à exportação. Segundo Carlos Fávaro, o volume de investimento dependerá da procura dos produtores, sublinhando a “determinação do Presidente Lula da Silva” em apoiar o processo.
“O limite do investimento será ditado pela procura. Quanto mais produtores brasileiros e angolanos quiserem produzir, maior será a disponibilidade do Governo brasileiro para financiar”, afirmou.
O governante destacou ainda as semelhanças climáticas e de solo entre Angola e o Brasil, considerando que essas condições permitem uma cooperação rápida e eficaz. “Muito rapidamente podemos fazer de Angola um grande ‘player’ mundial”, disse, acrescentando que os empresários brasileiros manifestaram ao Governo angolano a vontade de investir no país com participação directa de quadros e empresas angolanas.
O projecto prevê também a construção de infra-estruturas agrícolas, como armazéns, sistemas de irrigação, aquisição de equipamentos e máquinas, áreas onde o Brasil dispõe de tecnologia e capacidade de financiamento. “Angola já investiu em ferrovias e rodovias, mas é necessário reforçar a infra-estrutura dentro das propriedades, nomeadamente na armazenagem de grãos e irrigação”, sublinhou.
Segundo Carlos Fávaro, entre 25 e 30 grupos empresariais brasileiros estão já envolvidos na formatação de um modelo de investimento conjunto em várias regiões do país, após prospecções realizadas no terreno.
Do lado angolano, o secretário de Estado para as Florestas, João da Cunha, revelou que numa primeira fase foram identificadas áreas de produção nas províncias do Cuanza Norte, Uíje e Malanje, estando igualmente disponíveis extensas áreas no Moxico Leste, Cuando Cubango, Lunda Norte e Lunda Sul. De acordo com o responsável, cerca de 20 mil hectares de terras estão já disponíveis para o arranque do projecto.
João da Cunha destacou ainda que “já há acções muito concretas no país”, com empresários brasileiros em contacto directo com empresas angolanas, no processo de constituição de empresas de direito angolano para viabilizar os investimentos.
21 de Dezembro de 2026
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