A VIII Conferência Economia & Mercado sobre Agricultura reuniu, esta terça-feira, em Luanda, representantes do Governo, investidores, académicos e operadores do sector agrícola e florestal para debater temas estratégicos como a produção sustentável, fertilizantes, políticas públicas e mecanismos inovadores de financiamento ligados ao mercado de carbono.
Organizada em parceria com o Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), a conferência destacou a importância de transformar os sistemas agrícolas em modelos mais resilientes e competitivos, com foco na segurança alimentar e na sustentabilidade ambiental.
Ministro destaca desafios dos fertilizantes
Na sua intervenção, o Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, sublinhou que a produção nacional de fertilizantes atende atualmente apenas cerca de 3% das necessidades do país, criando “um acesso deficiente” a insumos essenciais que limitam a produtividade agrícola e a competitividade do sector.
O governante reforçou que a disponibilidade de fertilizantes na quantidade e no tempo certos é determinante para o êxito das campanhas agrícolas, influenciando diretamente a produtividade, a sustentabilidade e a segurança alimentar.
Florestas ganham papel económico em Angola
Paralelamente às discussões sobre fertilizantes, o evento abriu espaço para debater o potencial das concessões florestais como fonte de receitas sustentáveis. De acordo com análises recentes, uma concessão florestal de cerca de 10 mil hectares na província do Uíge pode gerar aproximadamente 1 milhão de dólares por ano através da comercialização de carbono, sem sequer explorar directamente a madeira.
Esta perspectiva foi apresentada com base na experiência da Associação Nacional dos Industriais e Madeireiros de Angola (ANIMA), que ressalta a certificação florestal como elemento central para aceder aos mecanismos do mercado de carbono, bem como para agregar valor a produtos como o carvão ecológico produzido a partir de resíduos florestais.
Os especialistas presentes defenderam que a formalização e certificação das concessões são passos fundamentais para estruturar o sector florestal, reduzir práticas informais como o garimpo e abrir novas fontes de receita sustentável alinhadas com a mitigação das alterações climáticas.
Agenda integrada para sustentabilidade
A conferência que ligou temas agrícolas e florestais evidencia a crescente inter-dependência entre segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e economia verde. A integração de mecanismos como fertilizantes acessíveis e mercados de carbono, que remuneram a conservação e captura de dióxido de carbono pelas florestas, pode oferecer novas oportunidades de financiamento e desenvolvimento para Angola.
À medida que o país procura diversificar a sua economia e reforçar a sua segurança alimentar, estes mecanismos representam desafios e caminhos promissores para uma agricultura mais sustentável e uma economia rural mais robusta.
27 de Fevereiro de 2026