Huambo - A província do Huambo contará, este ano, com uma fábrica de processamento de abacate, com a capacidade de 300 toneladas/dia, num financiamento da União Europeia, para reforçar a cadeia de valor do sector agro-industrial.
O facto foi dado a conhecer, esta quarta-feira, à ANGOP, pelo director do gabinete local da Agricultura, Pecuária e Pescas, João Lara, que disse se tratar de um projecto que vai impulsionar a produção do abacate e criar empregos para dezenas de jovens.
Afirmou que a unidade fabril vai começar a ser instalada, nos próximos dois meses, no Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála, para a transformação do fruto em produtos de alto valor acrescentado, como óleos, cosméticos e polpa congelada.
Referiu que o mercado global de processamento de abacate está em forte crescimento, com projecções que apontam para 5,18 mil milhões de dólares norte-americanos até 2032.
Por isso, defendeu maior engajamento das famílias camponesas na aposta em culturas resilientes, como a do abacate.
Disse que o surgimento desta unidade fabril na província implica que as famílias camponesas, organizadas em cooperativas, produzam em maior escala, de forma a garantir o abastecimento da fábrica e criar uma cadeia de valor capaz de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população local.
João Lara disse que o sector continua a incentivar as cooperativas a apostarem em mudas de qualidade, através do acompanhamento de projectos como os da fazenda Mungo e da MMM, na Caála, que já produzem variedades que estão a ser exportadas para os Países Baixos.
"Queremos que as famílias apostem na produção para transformar o abacate e ter valor acrescentado localmente, impulsionando a empregabilidade dos jovens, uma mais-valia para a província e regiões circunvizinhas que também possuem potencial", afirmou.
O responsável acrescentou que os camponeses podem beneficiar de créditos, disponibilizados pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) e pelo Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC) do Ministério da Agricultura e Florestas, para impulsionar o desenvolvimento económico da província.
Caála e Mungo na linha da frente
O município da Caála, província do Huambo, conta, na presente época agrícola 2025/2026, com cerca de mil 700 famílias camponesas envolvidas na produção de abacate, no quadro do programa "Diversifica Mais".
Recorde-se que, de Janeiro até à presente data, foram plantadas mil 700 mudas de abacate, para além da fazenda MMM, que produz a cultura em grande escala e já exporta para os Países Baixos.
O sector da Agricultura prevê plantar cinco mil mudas de abacate, com o envolvimento das famílias camponesas, tendo em vista a diversificação económica, o combate à pobreza.
A Caála conta com 57 mil 150 famílias camponesas que, em média anual, produzem cerca de mil toneladas de abacate de diversas espécies, comercializadas na província do Huambo e noutras regiões do país.
Já no município do Mungo, a fazenda agro-ecológica local tem cerca de 50 hectares de abacateiros, numa iniciativa privada voltada para o fomento da produção e exportação da cultura, em parceria com uma empresa sul-africana.
Actualmente, a fazenda testa oito variedades de abacate e controla seis mil plantas germinadas, que serão cruzadas com espécies nativas do município do Mungo. JSV/ALH
Fonte: Angop - 15 de Abril de 2026