Angola está a reforçar o seu posicionamento no mercado global de carbono, com estimativas que apontam para um potencial de cerca de 75 mil milhões de dólares nos próximos 20 anos no mercado regulado, além de valores entre 20 e 30 mil milhões USD no circuito voluntário. A projecção foi apresentada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, durante um workshop sobre mercados de carbono realizado em Luanda.
Segundo o governante, o mercado de carbono representa uma oportunidade estratégica para Angola transformar os seus recursos naturais, a base energética e os activos ambientais em novas fontes de financiamento, competitividade e desenvolvimento sustentável. O Executivo considera que o sector energético, agrícola e florestal poderá desempenhar um papel determinante na redução das emissões e na criação de valor económico associado à economia verde.
O presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, destacou que Angola pretende posicionar-se como um “actor activo e credível” nos mercados internacionais de carbono, aproveitando o contexto global de transição energética e a crescente valorização de projetos sustentáveis.
A estratégia nacional passa pela criação de um quadro institucional robusto, com mecanismos transparentes de medição, reporte e verificação das emissões, assegurando credibilidade internacional e atracção de investimentos ligados à sustentabilidade.
Especialistas e entidades do sector consideram que Angola possui vantagens competitivas importantes nesta área, graças ao seu potencial florestal, agrícola e energético. Projectos ligados ao reflorestamento, agricultura regenerativa e energias renováveis poderão gerar créditos de carbono com impacto económico e ambiental relevante.
Para o sector agroalimentar, este posicionamento abre novas oportunidades de financiamento verde, valorização da produção sustentável e integração em cadeias internacionais cada vez mais exigentes em critérios ESG e de descarbonização. O desenvolvimento do mercado de carbono poderá também contribuir para impulsionar práticas agrícolas resilientes e fortalecer a internacionalização dos produtos angolanos.
07 de Maio de 2026