A agricultura consolidou-se como o maior contribuinte para a estrutura produtiva de Angola, ultrapassando o sector petrolífero e afirmando-se como eixo estratégico da diversificação económica do País.
A revelação foi feita pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante uma mesa-redonda sobre agricultura sustentável realizada no âmbito da Cimeira África Forward 2026, em Nairobi, no Kenya.
Segundo o governante, o sector agro-pecuário duplicou o seu peso na economia angolana nos últimos dez anos, passando de 13,66% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015, para 25,43% em 2025.
Os números apresentados colocam a agricultura como o principal sector da economia nacional, reforçando a aposta de Angola na diversificação económica e na redução da dependência petrolífera.
Produção agrícola supera 30 milhões de toneladas
José de Lima Massano destacou igualmente os resultados da actual política de segurança alimentar em curso no País.
De acordo com o Ministro, a produção agrícola nacional ultrapassou 30,4 milhões de toneladas na campanha agrícola 2024/2025, representando um crescimento de 8,5% face ao período anterior.
Entre as culturas com maior destaque estão:
O Executivo considera que estes resultados demonstram a capacidade produtiva de Angola e o enorme potencial agrícola do País, sustentado pela disponibilidade de terras aráveis, recursos hídricos e diversidade climática.
Fertilizantes produzidos localmente a partir de 2027
O Ministro anunciou ainda que os ganhos do sector deverão ser reforçados com a entrada em funcionamento da primeira fábrica de amoníaco e ureia de Angola, prevista para 2027.
A unidade permitirá produzir fertilizantes localmente, reduzindo a dependência externa e contribuindo para o aumento da produtividade agrícola nacional.
A questão dos fertilizantes é hoje considerada estratégica para o crescimento do agro africano, sobretudo num contexto internacional marcado pelo aumento dos custos logísticos e pelas tensões geopolíticas.
Agricultura vista como segurança estratégica
Na sua intervenção, José de Lima Massano defendeu que a agricultura em África deve ser encarada como uma questão de segurança estratégica continental.
Segundo o governante, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma questão social para se afirmar como um imperativo ligado à soberania económica, estabilidade e resiliência dos países africanos.
O Ministro alertou para os impactos dos choques internacionais sobre os sistemas alimentares africanos, destacando que crises geopolíticas como o conflito no Médio Oriente têm provocado aumentos nos preços:
- dos combustíveis;
- fertilizantes;
- seguros;
- transporte marítimo.
Para os países africanos ainda dependentes da importação de alimentos, esta vulnerabilidade externa representa um risco crescente.
Investimento agrícola continua prioritário
José de Lima Massano defendeu igualmente a necessidade de acelerar investimentos em:
- irrigação;
- mecanização;
- investigação agrícola;
- cadeias logísticas;
- armazenamento;
- agro-indústria;
- financiamento rural.
O governante considerou que o potencial produtivo africano já existe e que o desafio passa agora pela continuidade de políticas públicas consistentes e integradoras.
Angola ganha protagonismo agrícola regional
As declarações do Ministro reforçam o posicionamento crescente de Angola como uma das economias agrícolas emergentes da África Austral.
Com vasto potencial agropecuário e crescimento consistente da produção alimentar, o País procura afirmar-se como futuro polo regional de produção, transformação agroindustrial e segurança alimentar.
A Cimeira África Forward 2026, subordinada ao tema “Parcerias África-França para a Inovação e o Crescimento”, reuniu chefes de Estado, empresários, investidores e líderes institucionais africanos e europeus em Nairobi.
14 de Maio de 2026