Para inverter o gráfico, a titular da pasta almeja uma “indústria de ponta”, com os operadores a trabalharem de forma articulada desde as micro salinas até aos grandes complexos industriais.
A produção de sal em Angola cifrou-se nas 59 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, muito aquém da média de 125 mil toneladas do mesmo período de 2025. Carmen do Sacramento Neto, ministra das Pescas e Recursos Marinhos, considera estar-se diante de uma “queda estruturada”, que merece uma “paragem radical”.
“Trazemos, de 2025, uma produção de 250 mil toneladas, que correspondeu, no ano passado, aos 75% da meta que temos preconizada. Hoje, no sexto semestre de 2026, não ultrapassamos ainda as 59 mil toneladas. Isto quer dizer que temos que fazer uma aferição dos constrangimentos”, sugeriu a governante.
Ao intervir, nesta quarta-feira, 15, em Benguela, no Fórum Nacional do Sal de Angola, a titular da pasta das Pescas traçou um prognóstico crítico sobre o que poderá ser o desfecho da actual temporada nacional de produção de sal, e sugeriu respostas à altura de travar a queda da produção.
“Se, ao sexto mês, estamos nas quase 59 mil toneladas, então, ao décimo segundo mês, como estaremos? E é, precisamente, fóruns iguais a esses que trazem uma visão clara do que temos que fazer a partir de agora. O que é necessário fazer? O que é que devemos fazer?”, indagou.
Na busca por resposta aos constrangimentos à produção de sal em Angola, Carmen do Sacramento Neto sugeriu alguns “pilares estratégicos” os quais considera determinantes para a transformação nacional do sector salineiro, como a organização e o fortalecimento da indústria do sal.
Para a governante, é necessário estruturar a cadeia de valores do produto para que, de forma efectiva e integrada, haja etapas de valorização do recurso, capazes de mitigar esses “gargalos logísticos”, maximizando a rentabilidade de cada elo produtivo.
Disse ser importante que a produção seja feita com excelência, assente numa modernização através da qual as salinas existentes possam observar uma mecanização sustentável, optimização da produtividade, com um respeito e equilíbrio ambiental, num processo que considere economicamente o aumento da empregabilidade.
“Redefinir e certificar investindo fortemente na tecnologia do processamento industrial, com laboratórios que também temos a responsabilidade de os colocar em linha da frente, que sejam laboratórios que possam elevar os padrões do sal angolano para certificação internacional”, pesrpectivou.
Para a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, o País deve transformar, inovar e fomentar uma indústria química nacional e construir pontes sólidas com as universidades para converter o sal em compostos de alto valor tecnológico, e estrategicamente posicionar Angola nas cadeias de valor a nível global.
“O desafio que temos pela frente exige ir além da simples extracção. Passa pela urgente melhoria organizacional de todos os intervenientes do sector e pela definição efectiva, clara e transparente da nossa cadeia de valores”, afirmou Carmen do Sacramento Neto no evento que decorre sob o lema ‘Produzir melhor, proteger mais: o Sal no caminho da Sustentabilidade’.