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Angola e Brasil aprofundam cooperação agrícola com projecto-piloto de 20 mil hectares na Lunda Norte

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Acordo coloca produção de grãos, tecnologia, mecanização, pecuária e investimento no centro de uma nova etapa da parceria entre os dois países

Angola e Brasil avançam para uma nova etapa de cooperação no setor agropecuário, com a assinatura de um Memorando de Entendimento que tem como um dos principais projetos-piloto a implementação de 20 mil hectares de produção de grãos na província da Lunda Norte.

O acordo será formalizado durante a visita a Angola do ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, dando continuidade à orientação definida pelos Presidentes João Lourenço e Luiz Inácio Lula da Silva para aprofundar a cooperação entre os dois países no desenvolvimento de um modelo de agricultura tropical adaptado às condições de Angola.

 

20 mil hectares como projeto-piloto

Designado “Terra Lunda”, o projeto prevê a implantação de 20 mil hectares de produção de grãos na Lunda Norte e surge como uma das iniciativas de maior dimensão da nova parceria agrícola entre Angola e Brasil.

Mais do que um projeto de produção, a cooperação pretende mobilizar conhecimento, tecnologia, investimento e capacidade empresarial para reforçar a produção agrícola angolana.

Entre as áreas prioritárias identificadas estão a produção de grãos e cereais, pecuária, melhoramento genético, máquinas e implementos agrícolas, estruturas de armazenamento, bioinsumos e cooperação técnico-científica.

 

Da transferência de conhecimento ao investimento

O memorando procura também aproximar os setores público e privado dos dois países, articulando governos, empresas, instituições financeiras e mecanismos de garantia para criar condições à concretização de investimentos agropecuários brasileiros em Angola.

O Brasil coloca nesta parceria a sua experiência acumulada em agricultura tropical, enquanto Angola procura acelerar a transformação do seu potencial agrícola em produção, produtividade e investimento.

A cooperação financeira poderá envolver a análise do acesso a linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Programa de Financiamento às Exportações do Banco do Brasil, além de mecanismos de seguro de crédito à exportação. Do lado angolano está prevista a mobilização de instituições financeiras e mecanismos de garantia para apoiar os investimentos.

 

Uma parceria que já começou a produzir conhecimento

O novo memorando dá continuidade a um conjunto de ações desenvolvidas entre 2023 e 2025.

Nesse período, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) capacitou 140 técnicos angolanos em áreas como custos de produção, política de preços mínimos, agricultura familiar e levantamento de dados das campanhas agrícolas.

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) realizou estudos pedológicos e topográficos em três mil hectares na região do Canal do Cafu, no sul de Angola, enquanto a Embrapa e a Emater-DF desenvolveram projetos para futura execução.

 

Angola procura transformar potencial em produção

A dimensão desta parceria ultrapassa o projeto-piloto da Lunda Norte. Para Angola, a cooperação com o Brasil representa uma oportunidade de combinar conhecimento técnico, tecnologia, mecanização, genética, financiamento e investimento privado num setor considerado estratégico para a diversificação económica e o reforço da segurança alimentar.

A agricultura tropical brasileira, desenvolvida em diferentes contextos climáticos e territoriais, oferece referências que podem ser adaptadas às condições angolanas, nomeadamente através da investigação aplicada, assistência técnica e desenvolvimento de cadeias de valor.

O próprio memorando prevê ainda iniciativas destinadas a aproximar empresas angolanas e brasileiras em áreas como os fertilizantes e o fornecimento de ureia, bem como a identificação de oportunidades para fornecedores e investidores brasileiros.

 

Uma nova escala para a cooperação agrícola

Com o projeto “Terra Lunda” e as restantes áreas previstas no memorando, Angola e Brasil procuram passar de uma cooperação centrada na capacitação e transferência de conhecimento para uma fase com maior peso de investimento produtivo.

Para Angola, o desafio será transformar esta cooperação em projetos concretos, produtivos e sustentáveis, capazes de gerar emprego, aumentar a produção nacional, desenvolver cadeias de valor e criar novas oportunidades para o setor privado.

Para o Brasil, a parceria abre espaço para empresas, tecnologia e conhecimento num dos mercados agrícolas com maior potencial de expansão no continente africano.

 

16 de Setembro 2026

Agroportal