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BFA e Angonabeiro colocam financiamento e apoio aos produtores no centro do futuro do café em Angola

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Mesa Redonda do Café juntou banca, produtores, empresas e entidades públicas para discutir como aumentar a produção nacional, reforçar o consumo e preparar o café angolano para os mercados internacionais
O financiamento e o apoio directo aos produtores estão a assumir um papel cada vez mais relevante na estratégia de desenvolvimento da fileira do café em Angola. Esta foi uma das principais conclusões da Mesa Redonda do Café, promovida pelo Banco de Fomento Angola (BFA), em parceria com a Angonabeiro, que reuniu em Luanda diferentes intervenientes da cadeia de valor para discutir os desafios e oportunidades do sector.


Realizado no dia 22 de Setembro, nas instalações da Angonabeiro, o encontro colocou em diálogo produtores, empresários, instituições financeiras, entidades públicas e outros parceiros da fileira, com uma agenda centrada no financiamento à produção, aumento da produtividade, consumo interno e oportunidades de exportação.
BFA quer aproximar financiamento da realidade dos produtores
Para o BFA, o acesso ao financiamento é uma das condições necessárias para que a fileira possa aumentar a produção, melhorar a produtividade e reforçar a competitividade do café angolano.


A Administradora Executiva do banco, Elizabete Tristão, defendeu durante o encontro a necessidade de aproximar produtores, empresários, instituições financeiras e especialistas em torno de soluções que permitam transformar o potencial do sector em maior capacidade produtiva e criação de valor.
O posicionamento insere-se numa estratégia mais ampla do BFA para o agronegócio. O banco mantém, para 2026, o foco nos subsectores do café, frutas e hortícolas e avicultura, assumindo o apoio à diversificação da economia como uma das áreas da sua actividade de agronegócio.
O banco recordou ainda a parceria estabelecida em 2024 com o Instituto Nacional do Café (INCA), posteriormente complementada por um instrumento do Ministério das Finanças destinado ao financiamento de projectos ligados ao sector. Durante a Mesa Redonda, o BFA reafirmou a disponibilidade para analisar projectos concretos e sustentáveis apresentados por produtores, empresários e investidores.

Angonabeiro: 1,5 milhões de dólares adiantados aos produtores

Se o financiamento bancário é apontado como uma peça importante para o crescimento da fileira, a experiência da Angonabeiro demonstra também a importância de mecanismos de apoio directo ligados à própria cadeia de valor.
Na última campanha, a empresa adiantou cerca de 1,5 milhões de dólares aos produtores de café, com o objectivo de apoiar a preparação das explorações para o ciclo seguinte e aumentar a capacidade produtiva.
Segundo o Director-Geral da Angonabeiro, Rui Gonçalves, o apoio não se limita ao adiantamento financeiro. A empresa disponibiliza igualmente alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos, procurando responder a necessidades concretas dos produtores antes da colheita.
A Angonabeiro mantém actualmente uma relação com cerca de 30 mil produtores, desde grandes fazendas a pequenos agricultores, incluindo através de intermediários locais. A empresa indica ainda que a sua capacidade de aquisição poderia ser actualmente superior ao dobro do volume de café que compra, sinalizando uma oportunidade para aumentar significativamente a oferta nacional.
“Não somos a banca, mas assumimos este compromisso porque sabemos que o crescimento da Angonabeiro está directamente ligado ao crescimento dos produtores e de toda a fileira do café em Angola”, afirmou Rui Gonçalves.

Produzir mais, transformar em Angola e criar mercado

A discussão promovida pelo BFA e pela Angonabeiro colocou assim em evidência uma questão central para o futuro do café angolano: não basta aumentar a procura se a produção nacional não tiver capacidade para acompanhar esse crescimento.
A resposta passa por uma maior articulação entre financiamento, assistência e meios de produção, capacidade empresarial, transformação e acesso aos mercados.
A Angonabeiro representa, neste contexto, uma ligação entre produção e transformação. A empresa assegura em Luanda processos de torrefacção, moagem e embalamento, incluindo cápsulas, contribuindo para a transformação local da matéria-prima. A marca Ginga, produzida integralmente em Angola, registou, segundo dados apresentados no encontro, um crescimento superior a 40% ao ano.
Para além do aumento do consumo interno, a Mesa Redonda abordou também o potencial de exportação do café angolano e a necessidade de criar condições para que o país consiga captar maior valor ao longo da cadeia.

Uma cadeia de valor que precisa de trabalhar em conjunto


A principal mensagem deixada pelo encontro é a necessidade de uma abordagem integrada à fileira. Produtores precisam de capital e meios para produzir; empresas precisam de maior oferta e qualidade; a banca precisa de projectos estruturados e sustentáveis; e o país precisa de transformar maior parte do valor gerado pela cadeia dentro de Angola.
Esta articulação ganha particular importância num sector com potencial para contribuir para a diversificação económica, para a criação de emprego e para o aumento das receitas de exportação.
O Ministro Conselheiro da Embaixada de Portugal em Angola, Pedro Severo de Almeida, destacou precisamente a relevância do agronegócio e da fileira do café enquanto instrumentos de diversificação económica e industrial, salientando igualmente a capacidade da Angonabeiro para transformar matéria-prima local e reter valor em Angola.

25 de Setembro 2026

Agroportal