Da formação à internacionalização: 20 empresas agrícolas angolanas avançam para intercâmbio em Itália
09/10/2026Sub titulo: 20 empresas angolanas, uma ponte para Itália ou 20 empresas do Huambo para Itália
Selecção no âmbito do Lab Innova for Africa coloca empresas angolanas perante uma nova etapa de internacionalização, com foco no agro-negócio, tecnologia, gestão e acesso aos mercados europeus
Vinte empresas agrícolas angolanas foram seleccionadas para participar num intercâmbio em Itália, na sequência da formação do programa Lab Innova for Africa “Luca Attanasio”, realizada no Huambo entre 21 e 25 de Setembro. A iniciativa representa mais um passo na aproximação entre o tecido empresarial agrícola angolano e o ecossistema empresarial e tecnológico italiano.
A selecção foi anunciada pelo Director da Italian Trade Agency (ITA) em Luanda, Andrea Ferrari, no final da formação que reuniu mais de 60 empresas ligadas ao sector agrícola e agro-alimentar, com particular incidência nas empresas que desenvolvem actividade ao longo do Corredor do Lobito.
O Lab Innova procura criar condições para que empresas africanas possam dar passos concretos na sua profissionalização e internacionalização. O programa, promovido pela Agência ICE – Italian Trade Agency desde 2019, trabalha competências técnico-manageriais, estratégias de exportação, inovação, transferência tecnológica e criação de relações empresariais com o sistema produtivo italiano.
Do conhecimento ao contacto com o mercado
Na edição realizada no Huambo, os empresários trabalharam temas que estão hoje no centro dos principais desafios do agronegócio angolano: preparação de planos de exportação, negociação internacional, qualidade, certificação, segurança alimentar, rastreabilidade, logística e desenvolvimento das cadeias agro-alimentares.
A formação procurou, assim, responder a uma questão essencial para Angola: como transformar capacidade produtiva em negócios agrícolas competitivos e capazes de chegar a mercados internacionais?
É neste ponto que o intercâmbio em Itália ganha particular relevância. As 20 empresas seleccionadas terão contacto com empresas e soluções italianas nas áreas do agro-negócio, marketing, gestão empresarial, tecnologia e acesso aos mercados internacionais, abrindo espaço para novas relações comerciais, transferência de conhecimento e potenciais parcerias.
Segundo Andrea Ferrari, existe igualmente disponibilidade de empresários italianos para partilhar soluções tecnológicas com empresas angolanas, sobretudo nas áreas da produção e produtividade agrícola.
Um projecto com impacto para além das empresas seleccionadas
A importância do Lab Innova para Angola ultrapassa, por isso, o número de empresas directamente envolvidas.
O sector agrícola angolano encontra-se perante o desafio de aumentar a produtividade, melhorar a qualidade da produção, desenvolver capacidade de transformação e, sobretudo, criar empresas capazes de competir fora do mercado nacional.
Para isso, não basta produzir mais. É necessário produzir com padrões reconhecidos, organizar cadeias de valor, dominar processos de certificação, conhecer os mercados e criar capacidade empresarial para responder a compradores internacionais.
É precisamente nesta transição, da produção para o negócio e do negócio para a internacionalização, que programas como o Lab Innova podem desempenhar um papel relevante.
A própria estrutura do programa combina formação, acompanhamento e, posteriormente, study tours em Itália, permitindo às empresas seleccionadas conhecer directamente empresas, distritos produtivos, centros de inovação e potenciais parceiros, além de participar em encontros B2B.
Corredor do Lobito acrescenta dimensão estratégica
A realização desta edição no Huambo acrescentou uma dimensão particularmente importante: a ligação ao Corredor do Lobito.
A escolha da província não é circunstancial. O Huambo tem um peso relevante na produção agrícola angolana e apresenta potencial para o desenvolvimento de actividades agro-industriais. Ao mesmo tempo, a ligação ao Corredor do Lobito coloca novas possibilidades em matéria de logística, conservação, armazenamento, transporte e acesso a mercados regionais e internacionais.
Para as empresas agrícolas, esta combinação pode ser determinante: produzir numa região com potencial agrícola, estruturar a empresa, cumprir os requisitos de qualidade e certificação e, finalmente, ter uma via logística que permita colocar a produção no mercado.
É esta ligação entre produção, conhecimento, tecnologia, logística, financiamento e mercado que pode transformar o Corredor do Lobito numa plataforma de desenvolvimento agrícola e agro-industrial.
Itália como parceiro tecnológico e empresarial
A aproximação a Itália ganha também importância pela experiência do país europeu no desenvolvimento de sistemas agro-industriais, mecanização, transformação, tecnologia e organização de cadeias de valor.
Para Angola, a oportunidade não está apenas em vender produtos para a Europa. Está também em aprender com empresas que já atravessaram processos de modernização, incorporar tecnologia, desenvolver competências e criar parcerias capazes de aumentar a produtividade e o valor acrescentado da produção nacional.
A cooperação Angola-Itália tem vindo a aprofundar-se neste domínio. Segundo a ITA, a formação realizada no Huambo integra um conjunto de iniciativas que já permitiram capacitar 170 empresas agrícolas angolanas em três sessões realizadas no país.
O próximo passo é transformar capacitação em negócio
A selecção das 20 empresas constitui, por isso, mais do que o encerramento de uma formação. É o início de uma nova etapa.
O verdadeiro impacto do programa será medido pela capacidade de transformar o conhecimento adquirido em investimento, melhoria de processos, certificação, aumento da produtividade, novas parcerias e, sobretudo, negócios concretos.
Para o agro angolano, este é um dos desafios centrais dos próximos anos: passar de uma agricultura com grande potencial produtivo para um sector empresarial mais competitivo, organizado e integrado nos mercados internacionais.
E, nesse caminho, aproximar empresas angolanas de conhecimento, tecnologia e parceiros internacionais pode ser tão importante quanto aumentar a área cultivada.
O Lab Innova coloca agora 20 empresas perante essa oportunidade. O desafio seguinte será fazer com que as oportunidades encontradas em Itália regressem a Angola sob a forma de tecnologia, investimento, conhecimento e novos negócios.