A Angolaves está apostada na construção de mais quatro naves, sendo uma para criação e três de posturas, e uma estação de tratamento dos dejectos das galinhas, como parte da sua estratégia de reforço da oferta diária de ovos ao país.
A informação foi partilhada ao Jornal de Angola, no Bengo, pelo director Administrativo e Financeiro, Pedro de Almeida, que adiantou que, neste momento a empresa conta com cerca de 105 mil galinhas acolhidas em 12 naves, sendo oito de posturas e quatro de criação.
Actualmente, a empresa produz uma média de 100 mil ovos por dia. Antes da pandemia da Covid-19, a produção diária era de 275 a 400 mil ovos. De acordo com Pedro de Almeida, a Angolaves registou uma baixa considerável da sua real capacidade produtiva, devido à crise financeira mundial agravada pela pandemia da Covid-19.
"Queremos ter aqui 90 mil aves, ou seja, queremos atingir 80 por cento da capacidade instalada, para produzirmos mais de 30 mil ovos por hora”, adiantou o director Financeiro da empresa. Pedro de Almeida explicou que a Angolaves não pretende apenas construir novos pavilhões, mas também aumentar a capacidade eléctrica e melhorar as condições de acomodação dos trabalhadores.
A Angolaves conta com um Posto de Transformação de Energia (PTE) de 50 KVA, mas a tendência é aumentar para 630 KVA. A rede de distribuição de água está ligada à Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL). Mas os cortes sucessivos registados no fornecimento do produto vital criam sérios transtornos no funcionamento normal dos aviários.
"Pelo menos duas vezes por semana, somos obrigados a requisitar um total de 20 cisternas, para assegurarmos a limpeza do espaço e darmos de beber às galinhas”, concluiu Pedro de Almeida.
270 a 300 caixas entregues aos vários revendedores
Fundada em 1994, a empresa, localizada no bairro Panguila, município do Dande, província do Bengo, coloca, diariamente, no mercado formal e informal, cerca de 270 a 300 caixas de ovos por dia. Segundo Pedro de Almeida, há dois anos que a empresa apresenta resultados negativos, devido à crise financeira mundial e ao facto de apenas duas companhias aéreas voarem para Lisboa, e apenas uma delas poder transportar bandos de galinhas ou pintos.
"Mesmo assim não parámos de produzir. Apesar de a crise provocar alguma quebra na produção de ovos, as vendas decorrem da melhor maneira possível. Portanto, há cada vez mais pessoas interessadas em revender os ovos que são produzidos aqui”, destacou.
Pedro de Almeida reconheceu o bom trabalho desenvolvido pelos agentes revendedores, sobretudo nas acções de distribuição e venda do alimento no mercado formal e informal. "Temos clientes espalhados por todo o país e que, através dos seus estabelecimentos comerciais e estratégias de vendas, os nossos ovos chegam à mesa de milhares de famílias angolanas”, ressaltou.
Em termos de equipamentos, a Angolaves tem capacidade para produzir muito mais. Mas os constrangimentos provocados pela pandemia da Covid-19, que assola o país, desde Março de 2020, prejudicaram imenso a produção de ovos e ração, e consequentemente, a criação de galinhas nos aviários da empresa.
No Panguila, onde nos primeiros meses da pandemia havia uma barreira sanitária, que impedia a entrada de viaturas carregadas de bandos (galinhas e pintos) importados da Europa, bem como a saída de outras carregadas de ovos e galinhas, para efeitos de comercialização, na capital do país e noutras províncias.
"Foram meses de muitas dificuldades, porque não conseguimos sair do Panguila para Luanda, e vice-versa. A distribuição estava comprometida e, desta forma, era impossível agradar os nossos clientes”, sublinhou. A TAP Air Portugal era a única companhia que fazia o transporte de bandos (galinhas e pintos) da Europa para Angola, porque "a TAAG não transporta animais vivos. Em Abril de 2020, fomos obrigados a abater 32 mil pintos, porque as ligações aéreas estavam suspensas”.
Pedro de Almeida explicou que os pintos importados só começam a produzir ovos depois de 20 semanas de vida. "Isso quer dizer que, em termos de planeamento, só começam a produzir nos moldes reduzidos. Quando a importação ocorre com atrasos, acontecem falhas graves na produção, porque os pintos devem começar a ter rentabilidade a partir de seis a sete meses de vida”, esclareceu.
Produção de ração é prioridade para garantir sustentabilidade
A Angolaves produz, nesta altura, cerca de 20 toneladas de ração, que servem apenas para o consumo interno. Segundo o director de Produção da empresa, Carlos Dinis, existem dois elementos muito importantes na fabricação da ração para as galinhas, o milho e o farelo de soja, que perfazem 80 por cento dos ingredientes necessários, além das fibras, proteínas e sais minerais para aumentar o seu valor nutritivo.
Garantiu que a fábrica pode produzir até 40 mil toneladas, para que pelo menos 50 por cento da ração seja comercializada. "Mas ainda estamos em fase de estudo de mercado, e porque a empresa enfrenta dificuldades na aquisição do milho e da soja”, esclareceu.
Acrescentou que os fornecedores estão muito distantes, nas províncias do Huambo, Malanje, Huíla e Cuanza-Sul, e que, para a empresa ter uma produção regular de ração, vai precisar, semanalmente, de cerca de 30 a 40 toneladas de milho e soja.
O director de Produção da Angolaves, Carlos Dinis, revelou que o quilograma de milho é adquirido no valor de 80 kwanzas. Mas o preço varia muito, facto que obriga a empresa a diminuir significativamente as margens de produção, para não aumentar os preços.
"É uma das guerras que travamos, com a variedade no preço do milho. Hoje você pode comprar a 320 e amanhã a 200 ou 500 kwanzas, tudo porque depende da resposta do mercado nacional”, lamentou.
Sobre o assunto, o director Administrativo e Financeiro da Angolaves, Pedro de Almeida, sustentou que "tudo depende da economia angolana, que importa quase tudo. Sei que agora o milho deixou de ser taxado à importação. Mas se queremos ter uma economia aberta, temos que ter todas as ferramentas necessárias”.
De acordo com Pedro de Almeida, os preços flutuantes do milho, nos mercados, deixam muito a desejar e complicam a vida dos produtores de ração, pelo que solicita a rápida intervenção do Estado angolano na uniformização dos preços, para facilitar a sua aquisição. "O nosso objectivo, neste momento, é importar o menos possível e produzir cada vez mais”, afirmou o responsável.
Quanto à venda de galinhas, as mesmas só podem ser comercializadas quando entram em fim de vida produtiva. "Nós só vendemos as galinhas reformadas, em Novembro. Mas o valor também é determinado pelo mercado. Nesta altura estão a ser preparadas cerca de 25 mil galinhas, para os devidos efeitos”, anunciou Carlos Dinis, o director de Produção.
Actualmente, o preço das caixas de 360 ovos (finos, sujos, médios e grandes) varia de 24.000 a 36.000 kwanzas.
Fonte: Jornal de Angola (06.12.2021)


