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AIA apresenta plano para relançar produção de café

Angola retoma o seu lugar entre os maiores produtores de café nos próximos quatro anos, caso sejam investidos 100 milhões de dólares num programa de recuperação produtiva de cerca de 250 mil quilómetros de terra vocacionada para a cafeicultura.

 

Estes são os termos de uma proposta enviada pela Associação Industrial de Angola (AIA) ao Presidente da República, João Lourenço, sublinhando que o projecto deve prever a produção em grande escala de palmares e cacau, com perspectiva de gerar 100 mil postos de trabalho, além de fomentar cooperativas na produção cereais, tubérculos e hortaliças para sustento dos trabalhadores.

O presidente da AIA, José Severino, que prestou estas informações ao Jornal de Angola, identifica a alta do preço do petróleo como favorável ao Executivo, na estratégia de diversificação da economia nacional, pelo que acredita que a revitalização da produção do café, também em alta no mercado, converge com a ascensão do peso da balança comercial e a melhoria do nível de vida dos angolanos.

O reembolso de um virtual financiamento destinado estimular a produção de café, na óptica de José Severino, deverá ser feito sem juros, tendo em conta que o processo só começa a gerar receitas dois anos depois da sementeira, atingindo o auge da produtividade a partir do quarto ano. 

Segundo a proposta, os trabalhadores, deverão receber  um salário de até 130 mil kwanzas, kit individual para cinco meses de trabalho, constituído por enxada, catana, calçado, farda, capa de chuva e material de higiene, ao passo que os proprietários e cooperativas devem apresentar um plano com indicação da força de trabalho e habitação rústica.

Supervisionado pelo Ministério da Agricultura e Pescas, o projecto consubstancia-se com a produção de viveiros de cafeeiro, cacau e palmeiras, sem perder de vista a inserção de outros elementos na cadeia de valor na fase produtiva, desde rede de distribuição, logística e transformação, visando o paulatino aumento dos empregos.

"A previsão é de que os 100 mil trabalhadores absorvam o equivalente a cerca de 250 milhões de dólares em salários e material e a possibilidade de produzirem a sua própria alimentação   confere-lhes alguma autonomia e empoderamento, na medida em que a produção do café é feita em paralelo com outros produtos”, antecipa José Severino com base em estimativas insertas na proposta.

Caracterizado pela excelente qualidade do café Robusta e Arábica, Angola já foi o terceiro e quarto maior produtor de café mundial, mas devido à estagnação da maioria das zonas de produção, deixou de constar nas estatísticas mais sonantes, estando o Executivo a incentivar a produção nas áreas tradicionais e a fazer diplomacia económica para atrair novos investimentos.

O Ministério das Relações Exteriores realizou, em Novembro de 2021, um seminário híbrido e a 1ª Feira do Café no Instituto Superior de Diplomacia Venâncio de Moura, onde  dezenas de produtores provenientes de várias províncias exibiram as potencialidades do sector.

Na ocasião, o ministro Téte António, exortou aos membros das missões diplomáticas angolanas a "divulgarem a qualidade do café angolano nos países em que se encontram, como forma de encontrar mercados atractivos para a exportação da matéria-prima que, no passado, serviu para a construção dos principais centros urbanos de Angola”. 

Fonte: Jornal de Angola (29.01.2022)

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