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Produtores de milho querem Banco exclusivo

Lubango - O director executivo do Grémio de Comerciantes e Produtores de Milho de Angola (Epungu), Ventura Atewa, defendeu hoje, segunda-feira, no Lubango, província da Huíla, a criação de um banco comercial para financiar exclusivamente a agricultura.

 

Segundo ele, o que falta para melhorar e aumentar a produção são investimentos e esses devem vir de uma estrutura competente e exclusiva para tal, com vista a garantir a estabilidade no preço dos cereais, com realce para o milho.

A ideia foi defendida durante um debate sobre “A instabilidade do preço do milho, em particular na província da Huíla", na Rádio Huíla, onde realçou que com a observância dessa premissa, o país terá condições para ser auto-suficiente na produção de cereais.

Para o gremista, com um banco exclusivo para a agricultura, haverá mais financiamento direccionado, que permitirá assegurar um melhor aproveitamento dos rios, sobretudo os de com maior caudal, como o Kwanza, Longa e Cunene, através da extensão da rede eléctrica pública às áreas agricultáveis.

Ventura Atewa detalhou que para se garantir essa estabilidade no  preço é necessário que os produtores recebam financiamento, pois os critérios dos bancos comerciais são discriminatórios e dificultam investimentos em energia, equipamentos de rega e outros meios nas zonas produtivas.

Defendeu, igualmente, a necessidade de haver um debate entre os produtores e as famílias camponesas para se encontrar um preço de referência para o milho.

Admitiu que a produção do milho já é considerável, estando à volta de quatro a cinco toneladas por hectare nos grandes produtores, mas a meta é atingir os 10 mil Kg, apelando para tal maior empenho dos serviços de extensão rural.

Por outro lado, ressaltou que os camponeses estão preocupados com a colheita, pois ainda enfrentam dificuldades de armazenamento, o que os força a vender o milho a preços baixos.

Apontou  a inserção da recuperação de silos da eira colonial em programas financiados pelo Orçamento Geral do Estado, alguns deles em posse do Grémio, para absorver a produção dos camponeses e evitar que estes se “desfaçam” da safra a qualquer preço.       

Frisou que o Grémio tem armazéns  na Matala e Quipungo, que  serviam, no passado, para a comercialização.

Por sua vez o director do gabinete provincial da Agricultura da Huíla, Pedro Conde, disse  que a determinação de um  preço “funcional”, joga um papel fundamental em  toda cadeia produtiva, pois deve-se chegar a um consenso assunto, em função dos níveis de produção e que satisfaça as necessidades do produtor e do consumidor.

Destacou que a produção das famílias camponesas é baixa, nalguns casos na ordem dos 500 a 600 quilogramas por hectare, o que os torna ainda pouco competitivos, sublinhando que para ter-se uma estabilidade económica, é preciso uma produção do milho acima das 10 toneladas por hectare.

A  campanha agrícola lançada em Dezembro de 2021, as previsões apontam para uma colheita de 600 mil  toneladas de produtos diversos, sendo que em termos  de cereais, perspectiva-se 400 mil, 250 das quais de milho.

Fonte: Angop (18.04.2022)

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