Lubango – O país precisa implementar, com urgência, um sistema nacional de sementes, mediante uma reserva estratégica, sobretudo, do milho, para minimizar o impacto de pandemias e conflitos internacionais, defendeu hoje, sexta-feira, no Lubango, o director-geral do grupo Jardins da Yoba, João Saraiva.
O grupo Jardins da Yoba foi seleccionado, em 2016, pelo Programa Nacional de Sementes, para, em cooperação com o Instituto de Investigação Agrária (IIA) e o Centro Internacional de Melhoramento do Milho e Trigo (CIMMYT), melhorar e seleccionar diversas sementes.
Em declarações à ANGOP, o engenheiro agrónomo fez saber que a escassez de sementes no mercado internacional, agravada com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, assim como a pandemia da covid-19, são sinais de uma “forte instabilidade” que os mercados internacionais sofrem.
O empresário frisou que Angola precisa criar uma reserva estratégica de sementes, para fugir a essa vulnerabilidade, ao impacto de situações internacionais.
João Saraiva assegurou que há interesse económico, assim como existe capacidade técnica, científica e industrial para substituir a importação, produzindo sementes mais baratas que impactem a conta dos agricultores, empenhando menos dinheiro e obtendo os mesmos resultados.
Sublinhou que o país importa mais de cinco mil toneladas de semente de milho por ano e que se houver um esforço com outros processadores de sementes, poder-se-á garantir 85 por cento dessa cifra, localmente.
Fez saber que o grupo Jardins da Yoba vai este ano chegar às duas mil toneladas de sementes de milho e mil de batata processadas.
“Só teremos impacto na produtividade, quando conseguirmos reduzir a semente que é reciclada pelo próprio produtor”, frisou.
Cinco milhões de dólares norte-americanos estão a ser investidos pelo grupo Jardins da Yoba na construção e apetrechamento de uma fábrica processamento de sementes melhoradas, no município do Lubango, província da Huíla.
A zona de produção do grupo está actualmente implantada numa área de 450 hectares, onde funciona um centro de produção e melhoramento de sementes na Humpata, três fazendas de multiplicação, na Chibia e um bloco de multiplicação na fazenda Chivemba, em Ombandja (Cunene).
O Dia Internacional do Milho é comemorado anualmente em 24 de Abril, em todo o planeta, com o objetivo de homenagear e incentivar o cultivo e consumo de um dos cereais mais nutritivos.
De entre os mais diversos benefícios para o ser humanos e os animais, o consumo desse cereal ajuda a proteger as células, reduzir os níveis de colesterol, prevenir problemas cardíacos e controlar a taxa de açúcar no sangue.
Fonte: Angop (22.04.2022)


