Ondjiva – A população do Cunene clama por aviário para a produção de galinhas e ovos, bem como de estabelecimentos comerciais oficiais, essencialmente para a comercialização de ovos, com vista a tornar o preço mais acessível ao bolso do consumidor.
Em entrevista esta segunda-feira, à ANGOP, em alusão ao Dia Mundial das Aves, assinalado hoje, os habitantes do Cunene afirmaram que a falta de aviário na província está a influenciar o preço alto do ovo.
A técnica de saúde Flor Benguela diz que, por falta de aviários na província, as pessoas acabam por comprar um cartão de ovos no valor de três mil e 750 kwanzas nas lojas dos comerciantes oeste-africanos.
“Isso devia ser bem aproveitado por empresários nacionais e estrangeiros para investirem, visto que o ovo leva, na sua composição, os principais nutrientes para o corpo, que são as proteínas, os minerais e as vitaminas”, afirma.
Elisa, vendedora-ambulante de sumo de múcua em Ondjiva, afirma que, nos últimos dois anos, tem encontrado dificuldades para adquirir ovos, porque o preço não lhe permite tirar do lucro que faz, que já é pouco.
Lembra que, até finais de 2020, antes de o único aviário de Oipembe fechar, os preços eram favoráveis, pois adquiria-se a mil e 350 kwanzas o cartão, com 30 ovos, uma vez que o mercado estava bem abastecido.
Filomena Rosa, vendedora de kissangua, declara que, ao invés de gastar 150 por um ovo, prefere comprar um quilo de fuba, que é suficiente, segundo ela, para dar de comer aos filhos.
A também estudante entende que seria bom, numa primeira fase, haver um estabelecimento oficial para a venda de ovos e, posteriormente, um aviário para a produção de ovos e galinhas em quantidade.
Entretanto, para o director provincial da Agricultura no Cunene, Pedro Tibério, precisa-se com urgência de um aviário para a província do Cunene, com capacidade de produção que corresponda às possibilidades da população.
O responsável informa que existem iniciativas de alguns empresários locais que querem investir neste ramo, mas de forma tímida, pois estão ainda em fase de avaliação os custos do projecto.
Único aviário no Cunene
O Complexo Avícola da localidade de Oipembe, arredores da cidade de Ondjiva, que funcionou de 2018 a 2020, foi o primeiro aviário no Cunene, no período pós-independência, equipado com tecnologia de última geração.
O aviário resultou de um financiamento da linha de crédito do Governo angolano, através do Programa Angola Investe, no valor de um milhão e 500 mil dólares norte-americanos.
Em Outubro de 2019, ano em que o Cunene registou uma seca severa, dezasseis mil aves das 23 mil e 800 que existiam no Aviário de Oipembe, arredores de Ondjiva, morreram devido à escassez de água, causando uma perda de 32 milhões de kwanzas.
O 9 de Maio, Dia Mundial das Aves Migratórias, ressalta a importância de conservar e restaurar os ecossistemas que sustentam os ciclos naturais e essenciais para a sobrevivência e bem-estar das aves.
Fonte: Angop (09.05.22)