Mais de 3.500 pintos adaptados a qualquer tipo de ração e clima, começaram a ser distribuídos gratuitamente, pela primeira vez, a 37 jovens do município de Caconda, localizado a 360 quilómetros a Norte da cidade do Lubango ( Huíla), no âmbito do projecto de fomento da avicultura.
Os jovens beneficiaram da formação ministrada pelos técnicos da Cooperativa dos Avicultores da Huíla, que abordou durante um mês temas relacionados com os tipos de ração, técnicas de preparação caseira, vitaminas, métodos de desinfestação, entre outros.
Para evitar o sufoco das aves durante o crescimento, os formandos aprenderam também as novas técnicas de estabilização da temperatura, formas rudimentares de medição, procedimentos de tratamento da água para as aves, épocas de poda, colheita e selecção de ovos assim como produção de embalagens caseiras.
O presidente da Cooperativa dos Avicultores da Huíla, Miguel Calandula, sublinhou que a formação é fundamental para todos os jovens interessados em aderir à criação e fomento das aves devido a certos pormenores a ter em conta da criação à fase adulta, fase de pôr ovos, controlo da temperatura e prevenção de pragas.
Em seu entender, a criação de aves é uma acção que dispensa "exagerada capacidade técnica e pessoal entre os quais pastores, veterinários, assim como a necessidade de tanques banheiros com vários tipos de insecticidas favoráveis ao controlo de doenças, crescimento e robustez dos animais”.
Miguel Calandula considerou, por isso, a formação como uma necessidade imediata de modo que os criadores estreantes não venham a acumular prejuízos, após a recepção dos pintos, assim como no momento da instalação das capoeiras, acomodação e início da criação de aves.
"A maioria dos novos criadores do Lubango, Humpata, Chibia e outras localidades, só começa a dar importância das formações a partir do momento em que algumas aves apresentam sinais de fraqueza, sonolência, tremores e rejeição frequente da ração e água”, disse.
Fundamentou que o propósito da formação de pequenos grupos de avicultores visa que haja em pouco tempo no mercado local oferta considerável de galinhas e ovos, cujos preços possam ser cada vez mais acessíveis e, consecutivamente, reduzir a importação de frango de corte e ovos.
O presidente da Cooperativa dos Avicultores da Huíla, fez saber que o Ministério da Agricultura e Florestas procedeu até ao momento, nos 14 municípios da província da Huíla, a distribuição de 250 mil pintos, sendo o foco as famílias das zonas rurais e jovens interessados em apostar na criação e comercialização de aves e ovos.
Anunciou que 900 novos avicultores foram já contemplados com vários módulos e, neste momento, desenvolvem a criação de aves sem sobressaltos relevantes. "Temos estado a expandir a formação para o interior da província da Huíla de modo que haja cada vez condições adequadas para o fomento de galinhas e ovos.
Economia familiar
Dezenas de famílias residentes nas províncias da Huíla e Cunene já adaptadas à criação de milhares de galinhas, vêem melhorias socioeconómicas substanciais com a sua integração no projecto de fomento da avicultura, sobretudo àquelas que foram arrasadas pela seca severa.
Esta performance, motivou Miguel Kalandula, a reconhecer que é agora possível assumir que há fomento de aves em grande escala nas zonas rurais das duas províncias visto que diversas famílias que perderam as culturas em consequência da seca, começaram a reactivar a actividade comercial.
Reconheceu haver, também, um equilíbrio dos preços de galinhas com realce em diversos mercados formais e informais da Região Sul. "Está a ser salutar a entrega dos criadores em todas as acções de formação e nas aulas práticas onde a presença de vários tipos de aves tem sido uma mais- valia”, disse.
Já o jovem Francisco Manuel, formado em Agronomia, no Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro, fundou a sua pequena empresa vocacionada na criação de aves e, neste momento, possui mais de 900 galinhas com uma capacidade de produção que ronda os 3.900 ovos por mês.
"O avicultor enalteceu as políticas do Executivo referente à valorização da produção nacional por estar a contribuir para a redução da importação de certos alimentos com realce o ovo. "Hoje, a preferência por produtos nacionais é cada vez mais evidente no seio das famílias, facto que fortalece o empresariado local”.
Fonte: Jornal de Angola (23.11.22)