O projecto MUKAFE, lançado, segunda-feira, em Luanda, pelo Ministério da Agricultura e Florestas para expandir a produção e transformação de café, absorve 8,815 milhões de euros de um financiamento europeu, envolvendo 500 famílias produtoras ao longo dos próximos cinco anos, apurou o Jornal de Angola.
Designado Projecto de Melhoria de Desempenho da Cadeia de Valor de Café, o MUKAFE é financiado, na primeira fase, por fundos da União Europeia (UE) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com o Governo angolano a participar na empreitada com a disponibilização da terra, no Cuanza-Norte, Cuanza-Sul e Uíge, as províncias seleccionadas para essa etapa.
Designada pelo Governo, a coordenadora do MUKAFE, Júlia Ferreira, declarou que o projecto MUKAFE é uma emanação do desafio das autoridades angolanas de elevar as exportações, pelo potencial da matéria-prima de aumentar o encaixe do país em divisas.
O projecto no seu todo, acrescentou Júlia Ferreira para definir o MUKAFE, o projecto é direccionado para as famílias produtoras, envolvendo o maior número de famílias possível, com a inserção preponderante baseada no género e jovens.
Entre os principais parâmetros técnicos, pretende-se que a produtividade passe dos actuais 200 quilos por hectare/ano, para mil quilos. "Pretendemos, com este projecto, aumentar a produção de forma a sustentar o mercado interno e externo, valorizar as variedades que o país produz e melhorar a qualidade destes mesmos produtos", frisou Júlia Ferreira.
A coordenadora realçou, também, a geração de rendimentos familiares como um dos principais focos da aposta do Governo e parceiros, uma vez que o projecto é estabelecido com as famílias produtoras.
Produção de mudas
O secretário de Estado para os Recursos Florestais, André Moda, destacou a importância do MUKAFE acrescentou que, como metas institucionais, o Governo também a revitalização da produção das espécies Robusta e Arábica, numa acção combinada com a distribuição de três milhões de mudas, até Outubro do ano em curso.
André Moda sublinhou que, para dinamizar a produção, estão a ser implementadas outras acções pelo Ministério da Agricultura e Florestas e parceiros nacionais e internacionais, para, médio e longo prazos, Angola volte a figurar entre os maiores produtores e exportadores de café do mundo.
Parceiros apoiam
A embaixadora da UE em Angola, Jeannette Seppen, reafirmou o total apoio incondicional do bloco ao sector do café e a outros do domínio da Agricultura, com reforço na capacitação dos produtores e apoio financeiro.
A UE, prosseguiu, já tem facilitado o acesso ao financiamento a pequenas, médias e grandes empresas, através do programa "Envolver", implementado pelo Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), serviços estes que pode também ser disponibilizado aos produtores de café associados ao MUKAFE.
Está em curso um acordo com a AFD para o projecto de Apoio à Formação Agrícola e Rural (FARAR), que, nas tardes províncias abarcadas pelo MUKAFE podem apoiar a capacitação de jovens e mulheres.
Por sua vez, o representante da AFD, Louis Antoine Souchet, indicou que, no âmbito de um acordo assinado em 2018 com a UE, vai ser prestado apoio mais abrangente ao sector agrícola, para atingir os objectivos do Executivo angolano no âmbito da diversificação da economia e a criação de emprego.
Actualmente, notou, 90 por cento da produção provém de explorações familiares, com a cafeícultura a representar uma população idosa e rendimentos correspondentes a 200 ou 250 quilos por ano, com o restante proveniente do sector empresarial.
País produz seis mil toneladas por ano
A produção angolana de café ascendeu, ligeiramente, para seis mil toneladas, em 2022, mais 800 que em 2021, quando se situou em 5.300 toneladas, de acordo com dados apurados pela nossa reportagem, depois do acto do lançamento do MUKAFE.
O director-geral do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA), Vasco Gonçalves, que participou no lançamento do projecto, afirmou a produção ocorreu em cerca de 35 mil hectares, ao longo de 10 províncias do país, nomeadamente, Uíge, Bengo, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul e Malanje que produzem o café Robusta.
Dezasseis mil produtores estão envolvidos na produção, caracterizada pelo robusta, nessas cinco províncias, e pelo Arábica na Huíla, Benguela, Bié, Huambo e Cuanza-Sul.
As exportações situam-se numa média de mil toneladas de café comercial por ano, sendo absorvidas, principalmente, por Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, China e Marrocos, afirmou Vasco Gonçalves a este jornal.
O país, considerou Vasco Gonçalves, tem o potencial de produzir mais de 500 mil toneladas de café por ano, uma meta que ainda não cumprida fruto das dificuldades que os produtores enfrentam.
Destacam-se como principais constrangimentos, a falta de financiamento para a produção, degradação das vias terciárias que levam até às fazendas e difícil acesso aos inputs como enxadas catanas, bem como a assistência técnica.
Fonte: Jornal de Angola 25/07/2023


