A partir deste mês de Dezembro, o país contará com um laboratório de análises de amostras para se certificar o mel angolano e possibilitar a sua exportação em mercados internacionais, conforme afirmou, segunda-feira, em Luanda, o presidente da Sociedade Agrícola Kuolala Vinawaihe, Gonçalo Taveiro Pinto, em entrevista ao Jornal de Angola.
Segundo o empresário apicultor, "caso o laboratório não seja inaugurado este mês, as análises de amostragem poderão ser feitas a partir da Namíbia, para que no próximo ano seja possível iniciar as exportações”.
No dizer de Gonçalo Pinto, há laboratórios no país que realizam análises, mas sem certificação internacional, "o que tem impedido a exportação do mel nacional para diversos mercados internacionais”.
"Se correr como planeado, o ano de 2024 pode ser promissor para o mel de Angola e da África, já que a sua produção nos países do Sul do mediterrâneo, como Portugal, Espanha e França, tem diminuído devido às situações actuais na Europa”, mencionou.
O produtor não tem dúvidas da "notável qualidade” do mel africano, embora considere, à partida, problemas "como falta de uma boa imagem, baixa produção e processamento inadequado”, responsáveis em parte das dificuldades para exportação.
Gonçalo Pinto acredita, porém, que a implementação de medidas de proteccionismo, bem como o aumento das taxas alfandegárias para a importação do produto, irão estimular a produção e exportação, beneficiando o país.
A exportação do mel nacional ainda não é possível, pois está em fase de laboratório para análise de amostragens. O Governo, por meio dos ministérios da Indústria e Comércio, Agricultura e seus parceiros (INACOQ e INADEC), tem trabalhado com os organismos das Nações Unidas para a consultoria na sede do PNUD estão a finalizar a elaboração do plano de monitorização e a terminar o modelo adequado para as análises de amostragens do produto, visando à sua acreditação internacional”, detalhou.
Aumento da produção
A Sociedade Agrícola, que foi fundada em 2017, na Região de Alto Zambeze, província do Moxico, já produziu, desde a sua criação, mais de 25 toneladas de mel
Para o produtor Gonçalo Pinto, a região do Alto Zambeze é uma das áreas mais férteis de Angola, e até mesmo do mundo, para a produção de mel, devido a grande quantidade de colmeias presentes.
"A produção da compota depende das encomendas solicitadas pelos estabelecimentos comerciais. Neste ano, recebemos muitos pedidos e, no próximo ano, planeamos produzir vinagre de mel e picles, visando substituir as importações, que são o foco do nosso negócio”, concluiu.
Disse que 80 por cento da Sociedade Agrícola Kuolola Vinawaihe é a comercialização do mel, o que não chega para cobrir os investimentos que são aplicados na produção da cultura. Quanto aos frascos, tampas e caixas de cartões, disse que são importados a partir de Portugal.
"O Governo tem ajudado na importação de frascos, tampas e caixas de cartões, com um certificado de direito de excepção por estar a pagar o IVA. Neste momento, temos frascos para Janeiro, e já estamos a tratar das importações de mais frascos, tampas e caixas. O frasco de 500 gramas é comprado. Agora, os consumidores estão a solicitar o frasco de um kilo, porque a tendência é substituir o açúcar por mel", referiu, apontando a concorrência desleal, carências de meios importados e falta da rede de comunicação nas zonas de produção, são as principais dificuldades que a sociedade agrícola enfrenta no mercado.
Fonte: Jornal de Angola - 05/12/2023


