Bovinos provenientes do Chade e cedidos aos fazendeiros, de Ambaca, Cuanza-Norte, pelo Ministério da Agricultura e Florestas, há três anos, no âmbito do programa de repovoamento animal do planalto de Camabatela, apresentam um índice de adaptação e reprodução satisfatórios, segundo depoimentos dos criadores locais.
Apesar dos constrangimentos iniciais ligados ao surgimento de doenças e mortalidade associada ao processo de adaptação ao clima tropical húmido e ao terreno planáltico de Ambaca, boa parte dos animais resistiram e já estão na fase reprodutiva, factor que anima os criadores locais, segundo apurou a nossa reportagem.
A Fazenda Sorte, do grupo Imocel, que recebeu 600 animais, metade dos quais pereceu de doença, conta, hoje, com 759 cabeças, mais 159 que o número cedido pelo Governo, de acordo com informações do gestor da unidade agropecuária, António Kiampuco.
Apesar das perdas, fruto do estado epidémico que se seguiu à chegada, três anos depois, os animais aumentam devido à regularidade de partos. "Os animais vindos do Chade já se adaptaram ao clima e ao pasto da nossa fazenda: recebemos 600 animais, morreram mais de 400, mas conseguimos recuperar os demais e hoje contamos com 759 bovinos, todos saudáveis”, disse.
Frisou que, entre os criadores, o sentimento é de esperança e que há condições para responder aos desígnios do projecto liderado pelo Governo, o qual considerou "ambicioso”, afirmando que "hoje podemos dizer que valeu a pena”.
A Fazenda Sorte (ex-Atalaia), com mais de três mil animais, entre bovinos, suínos, caprinos e ovinos, possui três mil hectares e está igualmente apostada no fomento agrícola com o cultivo de milho, soja e massambala.
Segundo António Kiampuco, a produção do milho e da soja está destinada à comercialização, enquanto a massambala serve de alimento para o gado. A fazenda Gemac, outra beneficiada, recebeu mais de 300 animais, com 200 a não resistirem por razões igualmente patológicas e sinais de recuperação visíveis três anos depois da chegada da primeira manada.
Faustino Dala, um dos responsáveis daquela quinta, indicou que a Gemac, de três mil hectares, foi a primeira das três do município de Ambaca, a receber o gado do Chade e que, apesar dos constrangimentos iniciais, a situação está controlada, com o gado a reproduzir de maneira satisfatória.
Ambaca é o único dos 12 municípios inseridos no Planalto de Camabatela contemplado com gado do Chade, tendo recebido um total de 1.500 efectivos, cedidos às fazendas Capeca, Sorte e Gemac.
O Planalto de Camabatela tem uma extensão de 1,410 milhões de hectares, contando com 532 fazendas espalhadas pelas províncias do Cuanza-Norte, Malanje e Uíge, tendo a vila de Camabatela, em Ambaca, como sede.
Fazenda Satik acelera aposta na produção de café
Mil e setecentas mudas de café, das variedades amboim, ambriz e cazengo, foram plantadas no presente ano, num espaço de 100 hectares da fazenda Satik, localizada na comuna de Cambondo, Golungo-Alto, no Cuanza-Norte, anunciou o director de produção da fazenda, Adriano Perassoli.
O projecto, de iniciativa privada, está consagrado à produção de café para comercialização, incluindo no mercado internacional, por intermédio de eventuais parcerias, dado o elevado potencial de aceitação no mercado europeu, para onde há cerca de meio século saíram animais da região.
O cafeicultor informou que a fazenda conta com uma mão-de-obra de 200 trabalhadores nacionais, número que poderá crescer com o aumento da capacidade de plantio e na fase da colheita.
A administradora municipal do Golungo-Alto, Maria Inácio, manifestou-se satisfeita com a materialização do projecto na região e encorajou o agricultor a prosseguir com o trabalho, tendo garantido apoios dentro das capacidades de gestão da sua administração.
Maria Inácio visitou várias dependências da fazenda, com particular destaque para a nova zona de 200 hectares já desmatadas e inteirou-se da situação contratual dos colaboradores que funcionam na quinta.
Marcelo Manuel | Golungo-Alto Marcelo Manuel | Ambaca
Fonte: Jornal de Angola - 20/12/2023


