A Comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, Josefa Correia Sacko, destacou a urgência de melhorar a alimentação dos animais em África. Num evento em Nairobi, Quénia, Sacko ressaltou as falhas estruturais nos sistemas de alimentação animal e forrageira do continente, que resultaram na perda significativa de animais durante secas recentes.
Sacko enfatizou que as restrições no mercado africano contribuíram para a perda de mais de nove milhões de cabeças de gado, o que resultou em prejuízos estimados em mais de dois mil milhões de dólares americanos. Ela alertou para a necessidade de sistemas forrageiros e de alimentação animal mais resilientes para enfrentar desafios climáticos e estruturais.
Desafios no sector pecuário Africano
A falta de desenvolvimento e coordenação no sector de alimentos para animais em África foi destacada por Sacko. Ela observou que muitos países africanos têm subdesenvolvimento nesse sector o que leva à ineficiência na produção e ao desperdício de recursos alimentares. Segundo a comissária, mais de 40% dos recursos alimentares existentes são desperdiçados devido à falta de planeamento e coordenação.
Sacko também apontou a dependência dos produtores em alimentar os animais com recursos próprios ou com alimentos mais acessíveis, em vez de seguir metas específicas de produção. Essa abordagem fragmentada compromete a produtividade e estabilidade do gado, contribuindo para a vulnerabilidade do sector pecuário africano a choques externos.
Potencial de crescimento e sustentabilidade
Apesar dos desafios, Sacko destacou o vasto potencial de crescimento e distribuição do sector pecuário africano. Ela reforçou que a dimensão e a cobertura rural desse sector tornam o mesmo fundamental para impulsionar o crescimento económico equitativo e alcançar os objectivos de sustentabilidade da Agenda 2063 da União Africana.
A Comissária ressaltou a importância de investimentos em pesquisa e desenvolvimento de sistemas de alimentação animal mais eficientes e sustentáveis. Ela sublinhou a necessidade de parcerias entre governos, sector privado e organizações internacionais para promover inovações e boas práticas no sector pecuário africano.
Próximos Passos
Josefa Correia Sacko concluiu ao chamar a atenção para a necessidade de acções urgentes para melhorar a alimentação dos animais em África. Ela incentivou os governos africanos e a comunidade internacional a priorizarem investimentos e políticas que promovam a resiliência e sustentabilidade do sector pecuário, com vista a garantir a segurança alimentar e o crescimento económico sustentável em toda a região.
Quinta Feira - 15.02.24


