Caxito - Conhecida como terra da banana, por ser a principal produtora no país, a província do Bengo está nos últimos anos apostada também na produção do maracujá.
Dos seis municípios que compõem a província, é no Pango Aluquém, que dista 110 quilómetros da cidade de Caxito, onde estão 96 pequenos produtores registados pela Direcção Municipal da Agricultura, 22 dos quais fortemente empenhados na cultura da fruta.
Grande parte destes pratica ainda uma agricultura de subsistência por não estarem organizados em cooperativas ou associações e por isso a sua produção ou colheita não é contabilizada e também não conseguem obter financiamentos para melhor desenvolverem as suas actividades.
A par destes, existem outros com grandes extensões de terras cujas colheitas variam entre uma tonelada a uma tonelada e meia por semana.
António Albano é um dos produtores que, em parceria com a companheira Juliana Sabino, detêm 14 hectares, na baixa Futungo, 18 quilómetros da sede do município.
Para chegarem até as suas terras percorrem 108 quilómetros durante três dias da semana (por dia 36 km), devido à falta de transporte na localidade.
Segundo Juliana Sabino, a aposta no cultivo do maracujá iniciou em 2014 quando começou a trabalhar num espaço de um hectar e apercebeu-se do potencial da cultura.
A partir desta altura começamos a pensar em expandir o nosso negócio, referiu.
Apesar dos poucos instrumentos de trabalho que possuíam (catanas e enxadas), Juliana Sabino referiu que começaram a desbravar novas terras para aumentar as áreas de cultivo.
Sem estimar quantidades, referiu que a primeira produção iniciou por volta de 2017/2018. Nesta altura muita fruta se perdeu por falta de mercado, referiu.
Segundo Juliana, os anos seguintes também foram de muita produção. Os interessados em comercializar a fruta começaram a aparecer no município para comprar o produto, uma vez que nós não tínhamos como chegar aos mercados devido à distância e a falta de transporte.
Em 2023, na baixa futungo foram colhidas entre 40 a 50 caixas de 25 quilos por semana, o equivalente a pouco mais de uma tonelada, disse.
Já este ano, continuou, com às fortes chuvas que se registam na região, a colheita baixou e estão a ser colhidas apenas 35 caixas por semana.
Joaquim Augusto, pequeno produtor proveniente da província do Huambo, revelou que apesar de possuir terra suficiente para produzir, trabalha desde 2002 numa área de sete hectares, com técnicas arcaicas e colhe apenas por semana entre cinco a oito caixas de 25 quilos da fruta.
Já Evaristo Leonardo, de 60 anos, produz desde 2017 numa área de um hectar, dos quatro que possui, no bairro Boa Entrada, e colhe entre duas a três caixas de 25 quilos também por semana.
Segundo o produtor, a cultura do maracujá é rentável. “É o único produto que nos tem ajudado. Se tivéssemos capacidade para comprar material poderíamos produzir mais”, sublinhou.
Comercialização
Estes produtores têm Luanda, capital do país, como o maior centro de escoamento da produção devido à sua proximidade com a província do Bengo.
A maior parte das vezes os preços são estabelecidos pelos compradores pois estes é que se deslocam ao município para comprar a produção e revender nos principais mercados de Luanda.
Contra esta situação de preços os pequenos produtores pouco ou nada podem fazer já que não possuem transporte para escoar a sua produção.
A caixa de 25 quilos é comercializada ao preço de 2.500 kwanzas quando há muito produto e 4.000 mil kz quando há escassez nos mercados.
Juliana Sabino informou também que já tentou algumas vezes vender o seu produto em Luanda, mas não teve grande lucro pois o preço do aluguer do transporte foi muito alto e não compensou.
Principais dificuldades
As vias de acesso aos locais de produção, a falta de material (arame e postes de madeira) e de transporte para escoar o produção foram apontadas como as principais dificuldades.
O director municipal da Agricultura no Pango Aluquém, Florêncio João Adão, disse não existir na localidade um programa específico para o fomento da cultura do maracujá, mas a direcção tem incentivado e apoiado os produtores a nível institucional.
Pediu aos produtores para se organizarem em cooperativas e legalizarem as suas parcelas de terras, de modo a estarem aptos a solicitar financiamento junto da banca.
Com a chegada da energia eléctrica da rede pública nos próximos anos, revelou, o município do Pango Aluquém vai apostar na indústria e os produtores de maracujá poderão pensar em intensificar essa cultura para abastecer a futura indústria transformadora local.
Sobre o Maracujá
O maracujá é uma fruta das regiões tropicais com efeito calmante. Pode ser aproveitada para fins cosméticos, culinários e medicinais.
É originário da América tropical, produzido pelo Maracujazeiro ao ar livre e conhecida como fruta da tranquilidade.
Tem um ciclo produtivo curto e a sua produção inicia sete meses após a plantação. A produtividade é rentável para o produtor durante três anos consecutivos, devendo posteriormente fazer-se a replantação. CJ/IF
Fonte: Angop - 15.04.24


