Com investimento de US$ 200 milhões, o projecto Refitec vai produzir 500 toneladas diárias, gerar 850 empregos e reduzir dependência de importações.
Na passada quarta feira, 26 de Março, Angola deu um passo decisivo rumo à soberania alimentar com a inauguração da Refitec, a maior e mais moderna fábrica de óleos vegetais do país. Localizada na zona da Boavista, próximo ao Porto de Luanda, a unidade industrial — liderada pelo Grupo Naval — tem capacidade para processar 500 toneladas diárias de óleos de palma, soja, girassol e outras gorduras, garantindo mais de 50% da quota de mercado nacional.
O empreendimento, testemunhado pelo Presidente João Lourenço, representa um marco na estratégia de industrialização de Angola, combinando alta tecnologia, sustentabilidade e geração de empregos.
Autossuficiência e Redução de Importações
A Refitec surge como resposta à dependência histórica de Angola de óleos alimentares importados. Segundo Eduardo Barbosa, CFO (Director Financeiro) do Grupo Naval, a fábrica é "um salto para a produção nacional". Eduardo referiu, também, que "Estamos a reduzir a necessidade de importações, fortalecer a economia e criar valor dentro do país. Este projecto prova que Angola tem capacidade para transformar seus recursos em produtos competitivos."
Com a entrada em operação da Refitec, a produção nacional de óleos salta para 1.300 toneladas/dia, e deve chegar a 1.700 toneladas em breve, com a inauguração de outra fábrica em Luanda.
O Ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, destacou: "Este é um elo vital para a soberania alimentar. Processar localmente significa economizar divisas, criar empregos qualificados e agregar valor à nossa agricultura."
Investimento, Tecnologia e Sustentabilidade
O Grupo Naval investiu US$ 200 milhões entre 2019 e 2022 no projecto, que ocupa 89.000 m² e opera com:
- Tecnologia de ponta: sistemas automatizados de refino e envase (capacidade para 1 milhão de litros de óleo/dia);
- Sustentabilidade: tratamento de efluentes, controle de emissões e reaproveitamento de resíduos industriais;
- Formação profissional: capacitação de trabalhadores angolanos para operações técnicas.
O apoio da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) foi crucial, ao agilizar trâmites burocráticos e facilitar o investimento.
Impacto Social: 850 Empregos e Inclusão
A Refitec gerará 850 empregos directos, reforçando o compromisso do Grupo Naval com o desenvolvimento social. O conglomerado, que já emprega 3.000 colaboradores (50% mulheres), mantém uma política activa de inclusão e capacitação.
O Presidente João Lourenço enalteceu o modelo: "Unidades como esta mostram que o futuro de Angola passa pela agroindústria. Não queremos mais ver camiões de produtos importados — nossa meta é transformar o campo em riqueza nacional."
Próximos Passos e Visão Estratégica
O Grupo Naval, presente em Angola desde 2007, tem seis unidades industriais operacionais e três em construção, além de uma rede de distribuição em todas as províncias. A Refitec consolida sua aposta em sectores estratégicos:
- Auto-suficiência alimentar;
- Diversificação da economia;
- Industrialização sustentável;
Eduardo Barbosa adiantou: "Este é só o início. Continuaremos a investir em projectos de alto impacto para o país."
Um Marco para Angola
A Refitec não é apenas uma fábrica — é um símbolo da capacidade angolana em unir recursos naturais, tecnologia e visão empresarial para reduzir importações e criar empregos. Até 2026, estima-se que o país economize US$ 120 milhões/ano com a produção local de óleos, segundo o Ministério da Indústria.
Como afirmou o Presidente João Lourenço: "O caminho é produzir mais e melhor em Angola." E a Refitec está a contribuir para esse movimento.
Sexta Feira - 28.03.25


