Wanderley Ribeiro, Director-executivo da BONSAE e Presidente da Associação Agropecuária de Angola (AAPA), participa esta semana numa imersão nos sistemas de produção agrícola dos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado norte-americano, no âmbito do Programa Internacional de Liderança de Visitantes (IVLP). Este programa de intercâmbio profissional dos EUA, em vigor desde 1940, é considerado “o principal programa de intercâmbio profissional do governo norte-americano”, concebido para criar relações duradouras entre líderes internacionais em governos, empresas, academia e outros sectores. Até hoje, mais de 230 mil líderes estrangeiros já integraram o IVLP, incluindo mais de 500 que chegaram a chefiar Estados ou Governos. Os participantes são seleccionados pelas embaixadas dos EUA em todo o mundo, sem necessidade de candidatura prévia.
O que esta edição reserva?
Em 2025, a edição voltada à agricultura foca-se no reforço da cooperação internacional para a segurança alimentar em África e no Haiti. Juntam-se à delegação angolana liderada por Wanderley Ribeiro representantes do sector público e privado de vários países africanos e do Haiti. Entre os Estados africanos citados estão Argélia, Tunísia, Burquina Faso, Senegal, Comores, Tanzânia, Quénia e Nigéria, além de Angola e Haiti. Esta ampla participação regional reflete a importância de África como “produtor e exportador de bens alimentares de qualidade”, conforme sublinhou o Presidente angolano João Lourenço na Cimeira Empresarial EUA-África: “Precisamos de investimento privado e do know-how americano para fazermos do continente um grande produtor e exportador de bens alimentares de qualidade”.
A agenda da delegação
Durante a estadia nos EUA, os participantes reúnem-se com várias instituições norte-americanas para trocar experiências e boas práticas agropecuárias. Em Washington DC são previstas reuniões com o Departamento de Estado, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), universidades (como a University of the District of Columbia e a Georgetown University) e associações sectoriais (ex. a American Seed Trade Association). Nos dias seguintes, o grupo viaja aos estados de Kentucky, Luisiana e Nevada para visitas a órgãos públicos estaduais, universidades de extensão agrícola e produtores locais. Estas agendas permitem comparar tecnologias e políticas agrícolas dos EUA com as condições de África e do Haiti, o que permite reforçar, também, vínculos institucionais. O USDA, por exemplo, afirma que apoia a segurança alimentar global “através do reforço de capacidades locais, pesquisa aplicada e apoio a dados de mercado”, alinhando-se com o objectivo do IVLP de partilhar conhecimento agrícola internacional.
Recapitulação dos Principais participantes e parceiros do programa:
- Países africanos e Haiti: Angola, Argélia, Tunísia, Burquina Faso, Senegal, Comores, Tanzânia, Quênia, Nigéria, Haiti.
- Instituições norte-americanas: departamento de Agricultura dos EUA (USDA); agências governamentais (Depto. de Estado); universidades (por ex. University of the District of Columbia, Georgetown); associações agrícolas (American Seed Trade Association, entre outras).
- Objectivos chave: segurança alimentar internacional; desenvolvimento de cadeias de valor agrícolas; transferência de conhecimento técnico; cooperação académico-sectorial; fortalecimento de redes políticas e empresariais.
Impacto esperado na agricultura Angolana e Africana
A participação da AAPA neste programa revela a posição de Angola na agenda internacional de segurança alimentar. Ao trocar experiências com parceiros globais, os líderes do sector agrícola angolano podem adaptar práticas inovadoras às realidades locais. Além disso, abre-se a possibilidade de atrair investimentos e estabelecer parcerias comerciais. Um exemplo é a cooperação da AAPA com instituições como o IFC (Corporação Financeira Internacional), para elevar a produtividade e os padrões sanitários da agricultura nacional, tal como destacou Wanderley Ribeiro sobre um acordo recente: “a parceria entre a AAPA e o IFC ajudará a melhorar o conhecimento, ao oferecer formação profissional para impulsionar a produtividade e as exportações no sector agrícola de Angola”. Na mesma linha, o IFC sublinha que aprimorar normas de segurança alimentar e produtividade fortalece as exportações, o comércio regional e apoia a “segurança alimentar em África”.
O compromisso com a cooperação agrícola internacional é recíproco. Enquanto Angola procura aprender com a vasta experiência dos EUA – país que, como notou António de Assis, outrora, Ministro da Agricultura e florestas de Angola, “é o maior produtor agrícola do mundo” –, os EUA também reforçam o apoio a nações africanas. Iniciativas como o IVLP promovem a capacitação local para reduzir a dependência de importações e aumentar a resiliência alimentar. Em tempo de crise alimentar global, tais trocas são vistas como estratégicas. Como salientou Ricard Pierre, Ministro do Planeamento e Cooperação Externa do Haiti, numa cimeira das Nações Unidas, é preciso “cooperar técnica e financeiramente na agricultura para providenciar produtos alimentares básicos e gerar empregos dignos”, reforçando a relevância de projectos educativos e cooperativos como o IVLP.
Em síntese, a presença do presidente da AAPA no programa de imersão agrícola nos EUA evidencia o crescente vínculo entre Angola e parceiros internacionais na área agrícola. A iniciativa destaca-se como oportunidade de aprendizagem e network, que deverá contribuir para o desenvolvimento do sector agropecuário angolano e o fortalecimento da segurança alimentar regional.
Fontes: Agências de notícias e instituições oficiais dos EUA e de Angola (VOA Português, Novo Jornal, IFC/World Bank, USDA, Nações Unidas, e informações públicas do programa IVLP).
Sexta feira - 09.05.25


