A Indu-Agri Angola Lda, empresa agrícola com vasta plantação no Dombe Grande (município da Baía Farta, em Benguela), está a promover um programa de formação técnica gratuita dirigido a pequenos agricultores familiares. A iniciativa inclui consultoria prática sobre técnicas agrícolas sustentáveis e apoio no reforço da agricultura familiar. A empresa, presidida por António Noé e já distinguida (2.º lugar no Prémio MPME 2025) pela sua actuação no agronegócio, pretende assim potencializar a produção local e elevar a competitividade dos lavradores de subsistência.
A relevância desta acção é sublinhada pelo peso da agricultura familiar na economia angolana. Dados recentes indicam que quase 90% da produção agrícola em Angola provém de explorações familiares. Num estudo de 2024, verificou‑se que o sector de base familiar ocupa 91,5% da área plantada e responde por 82,5% da produção total do país. Em termos práticos, milhões de pequenos agricultores cultivam alimentos básicos – mandioca, milho, hortícolas e frutas – e abastecem a população nacional. Nesse contexto, a capacitação técnica de produtores de menor porte emerge como estratégia-chave para aumentar rendimentos e reduzir perdas pós-colheita.
Sector privado como facilitador da capacitação
Analistas do sector apontam que o sector privado agrícola pode desempenhar papel decisivo na formação de agricultores. Em relatório sobre o agronegócio angolano, destaca‑se que o privado deve actuar como “facilitador” e “cooperador” em programas de apoio aos camponeses. Isto porque muitas iniciativas públicas ficam aquém das necessidades locais, enquanto empresas como a Indu-Agri dispõem de meios para levar ensino prático ao campo. A aposta de empresas nacionais em formação técnica complementa os recursos estatais e internacionais, e contribui para diversificar a economia, hoje concentrada no petróleo, e melhorar a segurança alimentar.
Exemplos de programas de capacitação agrícola
Além da Indu-Agri, há várias iniciativas de capacitação em curso no país e na região. Entre as acções recentes destacam-se:
- ADRA Angola (2022, Benguela): ONG internacional formou 92 agricultores (incluindo 36 mulheres) em técnicas sustentáveis – rotação de culturas, uso de adubos verdes e insecticidas naturais, sistemas agroflorestais, etc.. A formação envolveu sessões práticas de “Escolas de Campo” para multiplicar os conhecimentos nas comunidades.
- Parceria Angola‑Brasil (Maio/2025, Luanda): sob coordenação do Ministério da Agricultura, uma missão técnica brasileira (CONAB) ministrou cursos para quadros angolanos em agricultura familiar, armazenamento e controlo de qualidade. O objectivo é fortalecer instituições públicas com know‑how brasileiro em técnicas agrícolas adaptadas à realidade angolana.
Estas e outras iniciativas (como programas de extensão rural da FAO ou da Comissão das Comunidades de Países da África Ocidental) ilustram esforços comparáveis em África para melhorar a formação rural. Em Moçambique, por exemplo, projectos de “laboratórios de campo” usam metodologia semelhante para capacitar famílias camponesas, e mostram que o modelo de aprendizagem prática no terreno tem forte potencial no continente.
Dombe Grande: pólo estratégico do agronegócio em Benguela
O município de Dombe Grande (Baía Farta) é um dos mais produtivos de Benguela. Graças a solos férteis e à irrigação do rio Coporolo, ali desenvolveu-se um robusto cluster de mangicultura. Estima‑se que o Dombe Grande abriga mais de 50 explorações comerciais de manga que somam cerca de 1000 hectares sob cultivo, o que rende 15–20 toneladas por hectare das variedades de exportação (Kent, Keitt, Tommy Atkins). Este desempenho coloca a região como um futuro centro agroindustrial da província. De facto, o próprio CEO da Indu-Agri prevê que, com ligação eléctrica à rede nacional, Dombe Grande se torne “o maior polo agroindustrial da província de Benguela”, aproveitando a experiência e tecnologia locais.
Além da manga, a agricultura no Dombe Grande inclui extensas áreas de hortícolas, cana‑de‑açúcar e fruticultura variada. Na última campanha, a fazenda da Indu-Agri (50 hectares explorados directamente) produziu cerca de 2.500 toneladas de alimentos, destacando-se 1.200 toneladas de tomate e 1.200 toneladas de cebola. Estes números reforçam a ideia de que o investimento em conhecimento (treinamento dos agricultores) pode traduzir‑se rapidamente em ganhos substanciais de produção e renda.
Indu-Agri: perfil e compromisso social
A Indu-Agri Angola Lda foi criada pelo empresário António Noé, já premiado no agronegócio nacional. Com grande área cultivada no Dombe Grande, a empresa tem como missão expandir o agronegócio no país. Para além das actividades produtivas, destaca-se o compromisso social da empresa. Como parte de sua responsabilidade social, a Indu-Agri divulga acções de formação e eventos de capacitação para jovens agricultores – segundo material institucional, planeia uma “Conferência do Agronegócio: Economia Atemporal” destinada a inspirar e unir produtores, estudantes e investidores. Embora essa conferência ainda careça de cobertura na imprensa, reflete o perfil moderno da empresa, que combina negócio com desenvolvimento comunitário. Em resumo, a actual iniciativa da Indu-Agri insere-se numa visão ampla de fortalecimento do sector agrícola: a formação de pequenos agricultores, a promoção de práticas sustentáveis e o fomento de parcerias público‑privadas que podem revolucionar o agronegócio angolano.
20 de Junho de 2025


