Uíge - As estratégias para o relançamento da produção de café passa pela planificação, acesso aos insumos, assistência técnica, avaliação, reforço da capacidade, entre outras propostas apresentadas esta quarta-feira, na cidade do Uíge, durante o II Fórum municipal sobre as perspectivas de relançamento da produção de café.
O fórum, realizado pelo núcleo provincial da Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO) em parceria com a Administração Municipal do Uige, congregou cafeicultores, estudantes, administradores municipais e outros convidados, para traçar estratégias de relançamento da produção do café.
A iniciativa enquadra-se no âmbito da celebração dos 108 anos da cidade do Uige, assinalada em 1 de Julho, e 50 anos da Independência Nacional, que será celebrado dia 11 de Novembro.
Ao intervir no acto, o engenheiro agrónomo Geraldo Basilua, que abordou sobre "O relançamento da produção do café na perspectiva do agronegócio", informou que, para além destes factores apresentados, é necessário a formação e o diálogo permanente com os produtores, a fim de se aferir as principais dificuldades.
Para o engenheiro agrónomo, o café hoje é considerado uma bebida bastante útil para vida humana, pois dela deriva a produção de outras bebidas.
Por sua vez, o director adjunto para área técnica do Instituto Nacional do Café, Magalhães Alfredo Lourenço, que falou das perspectivas e caminhos para o relacionamento da produção do café", referiu que o produto faz parte da identidade de Angola.
Quanto aos desafios, apontou a reutilização da produção de mudas em estufas climatizadas, construção de estradas, armazéns, sistema de irrigação e equipamento agrícola, entre outras acções que facilitam a produção e escoamento do produto.
O responsável destacou a aposta na pesquisa rural, por meio de parcerias com universidades e centros de investigação, criação de cooperativas para facilitar o acesso aos insumos, crédito e mercado, reabilitação das zonas de produção, incentivo a jovens agricultores, melhoria da cadeia de valor e a promoção do consumo do café.
Quanto às perspectivas para produção do café, sublinhou que o Uige é uma província que tem terra, potencial e clima para a produção do café robusta, e o INCA está a apoiar na distribuição de plantas, na formação de produtores, bem como facilitar na cedência de crédito.
Já o vice-reitor para a área académica da Universidade Kimpa Vita, Domingos dos Santos, que abordou sobre o "Impacto da produção do café na economia em Angola e actual conjuntura económica mundial", referiu que o café pode ter um impacto significativo na economia angolana, se houver uma estratégia clara e bem executada no sector.
O também engenheiro agrónomo, fundamentou que, com o aumento da procura por produtos agrícolas sustentáveis e a necessidade de resiliência económica, o relançamento da produção de café em Angola representa uma oportunidade promissora, tanto a nível interno quanto externo.
Explicou ainda que o sector cafeeiro é intensivo em mão de obra e sua expansão pode gerar muitos empregos nas zonas rurais, reduzindo o êxodo rural e aumentando o rendimento das famílias.
Para isso, disse ser importante reforçar parcerias público-privadas, investir na capacitação de agricultores e transferência tecnológica, melhorar a infraestrutura de transporte e logística rural, criar uma marca nacional forte para o café angolano, incentivar a industrialização local com torrefação e exportação de produtos com valor agregado.
Angola prevê, para este ano, uma produção de 10 mil toneladas CC/ha, numa área de exploração de 53.695ha.EPP/JAR
Fonte: Angop - 02 de Julho.2025


