Luanda - Mais de sete mil agricultores, dentre os quais 54 mulheres, foram formados pelas escolas de campo do programa de Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutrição (FRESAN), informou a esta terça-feira, em Luanda, a embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Bento Pais.
A diplomata falava durante a cerimónia de apresentação dos resultados alcançados e perspectivas do projecto financiado pela União Europeia e implementado em parceria com o Governo angolano.
A União Europeia (UE) disponibilizou um total de 65 milhões de euros, em forma de doação, para apoiar a implementação do Programa Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional( FRESAN), nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene.
Segundo a responsável, o programa beneficiou ainda cerca de 88 mil mulheres em idade reprodutiva, com acções de sensibilização em nutrição, superando as metas definidas.
Rosário Pais sublinhou que houve um aumento de 40 por cento das fontes de águas melhoradas nas áreas de intervenção e uma interação de mitigação das alterações climáticas e insegurança alimentar nas administrações municipais.
Por outro lado, informou que foi inaugurado um Centro de Coordenação Operacional de Proteção Civil modernizado, equipado com sistemas de Informação Geográfica (GIS), monitorização de riscos e comunicação de emergência na província do Namibe.
"Estes indicadores traduzem-se em vidas transformadas, famílias com mais meios de produção, criação de emprego sobretudo para mulheres e jovens, comunidades mais protegidas, crianças mais saudáveis e regiões mais preparadas para enfrentar choques climáticos cada vez mais severos", disse
De acordo com Rosário Pais, os resultados reforçam a importância de integrar as lições aprendidas no planeamento público, no Orçamento Geral do Estado e nas estratégias de longo prazo.
regiões mais preparadas para enfrentar choques climáticos cada vez mais severos", disse
De acordo com Rosário Pais, os resultados reforçam a importância de integrar as lições aprendidas no planeamento público, no Orçamento Geral do Estado e nas estratégias de longo prazo.
Neste contexto, realçou que o futuro da segurança alimentar no sul de Angola dependerá cada vez mais da continuidade política, estabilidade institucional e da prioridade, que o país atribui a este sector.
Contudo, adiantou, é importante reiterar que, apesar dos progressos, o trabalho não termina por aqui.
"As províncias do sul continuam a enfrentar secas prolongadas, solos degradados, instabilidade de mercados e dificuldades de acesso à água. Todos estes factores continuam a exigir acção colectiva e estratégica sustentada," concluiu.
Por outro lado, o Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Maria dos Anjos, informou que a nível territorial foram elaborados 23 Planos Municipais de Segurança Alimentar Nutricional e integradas 40 acções específicas nos Planos de Desenvolvimento Municipal, devidamente inscritas no Orçamento Geral do Estado, o que constitui um marco para a institucionalização da Segurança Alimentar e Nutricional a nível local.
Neste quadro, fez saber que o Sistema de Informação e Alerta Rápido (SISAN), em conclusão com o apoio do FRESAN/Camões, I.P será uma ferramenta estratégica para a monitorização dos indicadores dos subsistemas do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN).
"O sistema integra um repositório nacional de dados sobre Segurança Alimentar e Nutricional e uma rede de 65 quilômetros, reforçando a monitorização agroclimática nas províncias do sul do país", considerou o Ministro.
No mesmo projecto, foram ainda realizadas formações em Governança da Segurança Alimentar e Nutricional, Gestão e Operacionalização do SISAN e Indicadores Agroclimáticos, fortalecendo a capacidade institucional e técnica do país.
Assim com o apoio a criação de três Conselhos Provinciais Piloto de Segurança Alimentar e Nutricional e treze Conselhos Municipais, representando um paradigma reforçado de governação multissectorial, multinível e multiactores.
Durante oito anos, a União Europeia, em parceria com o Estado angolano, desenvolveu o programa com impactos profundos nas comunidades rurais das províncias da Huíla, do Namibe e do Cunene.
O FRESAN é um programa implementado por quatro parceiros institucionais, entre eles o Instituto Camões, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Vall d'Hebron, apoiado por 12 Organizações Não-Governamentais, na redução da insegurança alimentar e nutricional.
Estiveram presentes na cerimónia, membros do Governo, representantes da União Europeia, de organismos internacionais, corpo diplomático, autoridades provinciais e parceiros de implementação.VX/CS


