A decisão do Grupo Carrinho de suspender de forma definitiva a importação de milho, passando a garantir 100% do abastecimento através da produção nacional, marca um dos momentos mais relevantes da agricultura e da agroindústria angolana das últimas décadas. A medida, aprovada a 15 de maio de 2024, representa um avanço histórico na substituição de importações, na soberania alimentar e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
Produção interna atinge maturidade industrial
Segundo a nota de imprensa da empresa, esta viragem só foi possível graças ao crescimento consistente da capacidade produtiva interna, impulsionada por programas de mecanização, assistência técnica e integração de produtores familiares e empresariais na cadeia de valor da Carrinho Agri. O novo contexto produtivo, caracterizado por maior fiabilidade agrícola, melhoria tecnológica no campo, expansão das áreas cultivadas e melhor coordenação entre produtores, cooperativas e indústria; permite hoje assegurar o fornecimento industrial sem recorrer a importações.
Impacto directo na economia agrícola
A suspensão definitiva tem impactos diretos na economia agrícola: contribui para a estabilização de preços, substituição de divisas por produção interna, reforço da segurança alimentar e criação de valor ao longo da cadeia produtiva. A empresa anunciou ainda que o próximo objetivo estratégico é alcançar a autossuficiência nacional em feijão já no próximo ano agrícola.
Angola ainda dependente, mas com sinais de viragem
Este marco ganha ainda mais relevância num contexto em que Angola continua a importar mais de metade dos alimentos que consome, mantendo elevada vulnerabilidade externa. Uma recente reportagem da Al Jazeera destacou o Grupo Carrinho como um exemplo de transformação estrutural do sistema agroindustrial angolano, evidenciando como a integração entre produção rural e indústria tem contribuído para reduzir a dependência alimentar do país.
Carrinho Agri liga campo, rendimento e indústria
O programa Carrinho Agri, que fornece mecanização, irrigação e formação técnica a pequenos agricultores, tem sido determinante para o aumento da produtividade de cereais como o milho e o arroz, assegurando rendimentos mais estáveis às comunidades rurais. Ao mesmo tempo, o Complexo Industrial Carrinho, em Benguela, processa grandes volumes de cereais nacionais, transformando-os em farinha e subprodutos para ração animal, substituindo importações e gerando valor acrescentado localmente.
Produzir localmente é estratégia, não opção
Para os responsáveis do grupo, a produção nacional não é apenas uma opção económica, mas uma questão estratégica. David Maciel, CEO da Carrinho Agri, defende que “produzir localmente é uma questão de sobrevivência e dignidade nacional”, enquanto Décio Catarro, CEO da Carrinho Indústria, sublinha o papel da industrialização na redução das dependências externas. As unidades industriais da empresa contam ainda com certificação internacional FSSC 22000 (Food Safety System Certification), reforçando a confiança dos mercados e dos consumidores.
Milho nacional como sinal de mudança estrutural
A suspensão definitiva das importações de milho sinaliza, assim, uma mudança estrutural no sistema agroalimentar angolano, demonstrando que, com investimento, organização produtiva e integração industrial, é possível transformar o potencial agrícola em soberania alimentar real e sustentável.
16 de Janeiro de 2026


