A Novagrolíder, conhecida como uma das maiores produtoras de banana, continua, com passos firmes, a diversificar as culturas. Agora, aposta num novo desafio: a exportação de café-arábica em grande escala a partir do município da Quibala, província de Cuanza-Sul. Para isso, ampliou o campo do cultivo para 288 hectares, num investimento de sete milhões de dólares, com o intuito de exportar, deste ano em diante, mais de 200 toneladas, um crescimento superior a 100 por cento em relação a 2025.
A garantia é de José Macedo, director-geral daquela unidade agrícola, para quem “é um orgulho poder levar a marca Angola aos mercados estrangeiros, reforçando o nosso compromisso com o país e o empenho com a produção nacional”.
“No ano passado, conseguimos exportar cerca de 100 toneladas, mas em 2026, com as novas plantações, esperamos dobrar esse volume. Em 2027, a previsão é exportar cerca de 600 e, para 2028, mil toneladas”, especifica Macedo, acrescentando que “os custos com a plantação e a instalação do sistema de irrigação podem chegar a 20 milhões de kwanzas por hectare”.
Cabo Verde mantém-se como um dos principais mercados africanos para o café produzido na Quibala, seguindo-se a Itália, a Turquia e os Emirados Arábes Unidos como os maiores clientes fora de África.
O produtor é atraído para a Europa devido à grande população consumidora de café daquele continente: “A Europa lidera a estimativa do consumo, com 53,7 milhões de sacas de 60kg, volume que representa 30,3 por cento do consumo global. Além disso, as rotas mais consolidadas tendem a movimentar maior volume de transporte e, por consequência, preços mais competitivos”, sublinhou Macedo.
A par do aumento do comércio para lá das fronteiras, a empresa tem sido capaz de, ao longos dos anos, investir forte na qualidade das estruturas e máquinas. “Estamos com equipamentos evoluídos, embora todos os dias surjam novas tecnologias para impulsionar o desenvolvimento”, detalhou.
Entretanto, o director-geral da Novagrolíder recusa o rótulo de líder do mercado nacional de produção de café. “O nosso objectivo é produzir o máximo possível e contribuir significativamente para a economia local”, vincou.
A falta de mão-de-obra qualificada em Angola não parece preocupar José Macedo, para quem a oportunidade que os trabalhadores têm merecido, de “receber formação interna de professores nacionais e estrangeiros”, é um factor importante a ter em conta.
O responsável também avalia o impacto da empresa no ensino escolar que, segundo Macedo, tem concedido estágios, tendo até à presente data 1.400 estudantes passado por diferentes sectores de produção daquela instituição, que também cultiva manga, melão, melancia, abacaxi, mamão, maracujá e goiaba.
A Novagrolíder conta com 250 trabalhadores na cafeicultura, e tem planos para envolver, nos próximos tempos, pequenos produtores familiares das proximidades do projecto.
“O apoio dos produtores familiares é um projecto que está em curso, mas deve ser necessário o envolvimento de outras entidades responsáveis pelo sector”, concluiu o agricultor José Macedo.
A maior da década de 60
O Cuanza-Sul desempenhou um papel fundamental na história da cafeicultura angolana. Só para exemplificar, nos anos 50, a Companhia Angolana de Agricultura (CADA), localizada no município do Amboim, tinha uma área de 15 mil hectares de café (o equivalente à área constituída pelo mesmo número de campos de futebol), produzindo oito mil toneladas por ano. O sisal e o algodão eram outros produtos fabricados na CADA, que atingiu o estatuto de pólo dinamizador da economia angolana. Mais tarde, os funcionários uniram-se e criaram a União Dos Empregados (U.N.E.C.). Eles possuíam, entre outros equipamentos, um prédio em Luanda e um Hotel, o chamado Praia Hotel, na antiga cidade de Novo Redondo, hoje Sumbe. O início da construção da CADA aconteceu em 30 de Junho de 1919, data em que se constituiu a Companhia Fabril e Pastoril de Benguela Velha. Na década de 1960, a CADA era a principal produtora de café angolano, numa época em que, a seguir ao Brasil, Angola disputava com a Colômbia o segundo lugar dos maiores produtores mundiais.
Fonte: Jornal de Angola - 27 de janeiro de 2026


