O Governo de Angola e a União Europeia assinaram um acordo de financiamento de 50 milhões de euros para impulsionar o desenvolvimento das cadeias de valor agroalimentares no estratégico Corredor do Lobito, numa iniciativa que reforça o posicionamento da agricultura como pilar da diversificação económica do país.
O financiamento enquadra-se no projecto AGRINVEST – Oportunidades e Competitividade nas Cadeias de Valor Agroalimentares, com uma duração prevista de seis anos, e visa aumentar a competitividade, a segurança alimentar e a integração dos produtores nos mercados.
Cadeias agroalimentares no centro da estratégia
O projecto aposta na estruturação e organização do tecido produtivo, com foco na capacitação técnica e na gestão das organizações agrícolas, incentivando modelos colaborativos e relações contratuais com empresas âncora.
Ao mesmo tempo, prevê investimentos relevantes em:
• Infraestruturas de armazenamento e transporte
• Sistemas de conservação e redução de perdas pós-colheita
• Capacidade de transformação agroindustrial
• Acesso ao financiamento para produtores e PME
O objetivo é reduzir a fragmentação do sector, aumentar a escala produtiva e melhorar a eficiência das cadeias de abastecimento.
Impacto nas regiões com maior potencial agrícola
A iniciativa abrange as províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico e Moxico Leste, regiões com elevado potencial agrícola e posicionamento estratégico ao longo do corredor logístico.
Além de reforçar a produção de culturas como grãos, hortícolas e frutos tropicais, o programa pretende criar emprego, especialmente para jovens e mulheres, e estimular a criação de cooperativas e o acesso a microfinanciamento.
Corredor do Lobito como eixo de desenvolvimento
O Corredor do Lobito assume-se como uma infraestrutura estratégica para Angola, ligando o porto do Lobito ao interior e aos mercados da África Central, funcionando como plataforma de exportação e integração regional.
Neste contexto, o AGRINVEST surge como uma intervenção estruturante que vai além da agricultura, promovendo a articulação entre sectores como transportes, indústria e comércio, e alinhando-se com o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027
Agricultura como motor da diversificação económica
Para o executivo angolano, este investimento reforça a mobilização de parceiros internacionais em torno do desenvolvimento do corredor, que concentra hoje o apoio de instituições como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e sistema das Nações Unidas.
Mais do que um programa de apoio agrícola, o projecto posiciona-se como um instrumento-chave para:
• Aumentar a produção nacional
• Reduzir a dependência de importações
• Impulsionar exportações
• Fortalecer a resiliência das cadeias agroalimentares
Num momento em que a segurança alimentar e a eficiência logística ganham centralidade, Angola reforça assim a aposta na agricultura como motor de crescimento sustentável e competitivo.
26 de Março de 2026


